sábado, setembro 26, 2009

Há 15 anos o rádio perdeu um show de profissional: Estevam Sangirardi

Em um domingo de clássico entre São Paulo e Corinthians é impossível aos que têm mais de 30 anos - como eu - não lembrar do sofisticado estilo de Lord Didu Morumbi e do fanático sofredor corintiano Joca.

Personagens como esses tornavam os dias de jornadas esportivas um verdadeiro Show de Rádio.

A origem deles, assim como as do palmeirense Comendador Fumagalli e do santista Lança Chamas, foi a mesma: a mente criativa de Estevam Sangirardi, o saudoso Sanja.

Há exatos 15 anos, em 27 de setembro de 1994, o juiz divino trilou o apito final para Sangirardi. O rádio perdera muito de sua alegria.


Ouça a última entrevista de Sangirardi, que foi concedida ao programa Rádio Matraca da Gazeta FM, em 1992.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Em destaque, capa do boletim da Rádio Gazeta comunicando a reestreia do programa em 1991. À época, tive o privilégio de conversar com Sanja para produzir o texto desse boletim, já que ocupava a grata missão de divulgar a emissora.

O show de rádio e de criatividade começou com a estreia de Sangirardi na Rádio Record em agosto de 1945. Pouco tempo depois, em 1º de novembro, aos 22 anos de idade, a convite do amigo Paulo Machado de Carvalho Filho, migrou para a Pan-americana, então co-irmã no grupo emissoras Unidas (a outra rádio pertencente ao grupo da família Machado de Carvalho era a São Paulo).

Naqueles tempos em que o rádio exigia versatilidade, Sanja fez de tudo: sonoplastia, locução esportiva e jornalística, radionovelas, comerciais, jingles e tudo o que lhe era solicitado.

No final de 1960, o eclético radialista vai para a Bandeirantes. Foi lá que nasceu o Riso Futebol Clube. Considerado embirão da mais famosa empreitada de Sanja, Riso durava quinze minutos e era gravado aos sábados para ir ao ar aos domingos.

Em 1967, na agora Jovem Pan, retorna com ambições ainda maiores. 1968, para muitos, foi considerado “o ano que não terminou” em função do recrudescimento do período militar. Para Sanja, que usava o futebol e o bom humor para fazer tabelinha com a crítica social, o ano começara com alguns gols de placa.

Aos 45 anos de idade, é registrado como redator e rádio-repórter e ganha cartão verde para colocar em campo o Show do Intervalo, que logo evolui para o autêntico Show de Rádio e passa a ser transmitido logo após o término do jogo.

O programa teve passagens também pela Bandeirantes e ainda pela Gazeta, no início da década de 1990, mas a fase de ouro foi mesmo na Pan. Era comum os torcedores das equipes rivais deixarem o estádio a pé ou nos carros ecoando o som da transmissão dos hilários diálogos entre os personagens daquele show.

Ao vivo e levado ao ar pouco tempo após o fim do jogo, o povo gargalhava com as imitações, paródias e brincadeiras de Sanja e equipe.

Por falar em equipe, esta sempre foi show também. Pelo time campeão comandado por Sanja passaram alguns dos mais importantes humoristas deste país. Muitos ainda em atividade. Não me arriscarei a citar nomes, pois cometeria certamente injustição com os que não lembrasse.

Em meados de 1992, após cerca de um ano no ar pela Gazeta AM, emissora que viu o seu projeto de ser transformada na nova voz do esporte abortado após ser arrendada por uma igreja, Sanja teve seus estados de saúde e emocional abalados com a saída do programa do ar. Começara uma luta contra dores agudas, para as quais perderia o jogo em 27 de setembro de 1994, aos 71 anos de idade. Os adversários contra os quais teve de lutar foram: insuficiência respiratória, câncer de próstata e doença pulmonar construtiva crônica.

Mas o show não terminou. Ainda em tempos recentes, Serginho Leite e uma nova equipe fizeram algumas tentativas de voltar com o programa. A mais recente foi na Capital AM. Torcemos para que esta volta, até como forma de homenagem ao mestre, aconteça a qualquer momento.


As informações contidas neste texto foram extraídas do livro Um Show de Rádio – a vida de Estevam Sangirardi, escrito por Carlos Coraúcci e publicado pela editora A Girafa.



Ouça mais:
Show de Sangirardi

Radiografia: Olga Sangirardi (produtora do programa)

sexta-feira, setembro 25, 2009

GPR divulga resultado da enquete sobre rádio na web

Cerca de cento e setenta pessoas participaram do Seminário do Grupo dos Profissionais do Rádio, realizado nesta quinta, dia 24 de setembro, na plenária da Fecomércio. Foram sete horas de palestras e painéis. Um dos destaques foi a apresentação do resultado da enquete: "O rádio na internet, o que o ouvinte busca lá?"

Clique aqui e confira os detalhes no site do GPR.

Peças Raras no Dia do Rádio




imagem: foto publicada no Estadão da Torre de Babel construída com aparelhos de rádio, criada pelo artista plástico Cildo Meireles


Em 25 de setembro de 1884, nascia Edgard Roquete Pinto. Por ter sido o primeiro a acreditar no potencial do rádio, ele se tornou o pai do então novo meio de comunicação. Hoje comemoramos o dia do rádio em homenagem ao saudoso antropólogo, professor, cientista...



Ouça o boletim Radioescuta Peças Raras especial.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Na participação desta sexta na Malaveiaweb, traçamos um panorama do rádio na atualidade: radioweb, igrejas e idealismo formam o tripé da conversa. Entre os destaques, acompanhe a opinião de Heródoto Barbeiro sobre a contribuição da internet para o rádio moderno.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Radiografia parte 2: Heródoto fala sobre futuro e jornalismo

Na primeira parte da entrevista concedida ao repórter Daniel Grecco com exclusividade ao Peças Raras, Heródoto Barbeiro revelou como deixou a História para entrar para o Jornalismo e viver o tempo presente.


Nessa segunda parte, o gerente de jornalismo do Sistema Globo de Rádio explica como a história do rádio evolui para acompanhar a velocidade dos dias de hoje.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Heródoto comenta como o rádio concorre com outras mídias instantâneas, que até pouco tempo não existiam.

Ao falar tanto em futuro da mídia, Heródoto aborda também a antiga divisão entre AM e FM e afirma que o que importa é o conteúdo.

Heródoto cita ainda como o humor auxilia o jornalismo.

Na entrevista, o âncora da CBN não se esquiva ao responder o que a emissora em que trabalha tem de diferente em relação às outras do segmento. Heródoto acredita que o papel do radiojornalismo é mostrar diferentes opiniões para que o ouvinte forme a sua própria verdade sobre determinado assunto.

Segundo Heródoto, a mesma independência que tem em relação à linha editorial é alcançada com o departamento comercial.

Ainda em setembro, você confere a terceira parte deste bate-papo. Entre outros assuntos, você vai saber o que Heródoto pensa do diploma e dos cursos de jornalismo.

No mês da comunicação, você permanece em sintonia com o rádio.

quarta-feira, setembro 23, 2009

A Capital vence o capital

Há duas semanas, publicamos um post sobre comentários que davam conta de uma eventual ameaça à programação popular da Rádio Capital.

Estabeleci nesta quarta, dia 23 de setembro, novo contato com fonte ligada à emissora que revela que, pelo menos no momento, o pastor David Miranda afirma não ter interesse na Rádio Capital e que já possui outras rádios na região. Além disso, o comunicador Eli Corrêa (foto) recebeu informações do Nelson Morizono, dono da Capital, de que não foi fechado negócio com ninguém, apesar de existirem muitos interessados em comprar. Por ora, podemos comemorar: a Capital está levando a melhor sobre o capital, ou melhor, sobre o lucro fácil.


O trabalho da emissora continua normalmente, agora com mais otimismo. Um exemplo é que já está confirmada a transmissão da Missa da Padroeira, dia 12 de Outubro, às 10 horas, diretamente da Catedral da Sé, com a presença de Eli Corrêa e cobertura da equipe de Jornalismo.

Enfim, mais uma boa notícia no momento em que nos aproximamos deste Dia do Rádio (25 de setembro).

segunda-feira, setembro 21, 2009

Radiografia: O Radialista Heródoto Barbeiro



21 de setembro é tradicionalmente o Dia do Radialista.

Apesar de a data ter sido mudada em 24 de julho de 2006, pela Lei nº 11.327, que institui a comemoração no dia 7 de novembro, data de nascimento de Ary Barroso, hoje continua a ser tratado como o dia de fato.

Em homenagem à data, acompanhe a primeira parte da entrevista com o gerente de jornalismo do Sistema Globo de Rádio e âncora do Jornal da CBN.


Heródoto Barbeiro revela como deixou a História para entrar para o Jornalismo e viver o tempo presente.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Em breve, você ouve mais duas partes desta entrevista exclusiva, conduzida pelo repórter Daniel Grecco.

crédito: imagem extraída da transmissão ao vivo do site da CBN

sábado, setembro 19, 2009

Seminário: O Rádio na Internet

Na semana em que começa com o dia do Radialista e termina com o dia do Rádio, O GPR - Grupo dos Profissionais do Rádio - promove o seminário o Rádio na internet.



Mídia pioneira em multiplataformas, o rádio aumenta sua popularidade em ritmo acelerado nos sites, celulares, TV, fazendo surgir questões inevitáveis.

Como as emissoras estão distribuindo seus conteúdos? Como os comunicadores estão interagindo com os ouvintes, que agora ampliam seus pontos de contato por blogs, twitter, sms? Como mensurar a audiência nestes canais?

Dirigido a profissionais do rádio, produtoras e agências de propaganda, o seminário "O Rádio na Internet" reunirá comunicadores, pesquisadores e especialistas em web para debater estas e outras questões atuais.

O encontro também apresentará enquete inédita sobre hábitos de audiência, além de debates e painéis com profundos conhecedores desse novo momento do rádio. Participe.

Veja a programação

Aproveitamos a oportunidade para divulgar mais um trecho da entrevista exclusiva com o gerente de jornalismo do Sistema Globo de Rádio e âncora da CBN.


Heródoto Barbeiro fala sobre a relação entre o rádio e as novas mídias instantâneas - com ênfase na internet.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Ainda esta semana, você confere a primeira parte desta conversa com Heródoto, conduzida pelo repórter Daniel Grecco com exclusividade para o Peças Raras.

(fonte: GPR)

quinta-feira, setembro 17, 2009

Presidente da Jovem Pan lança livro no dia do Radialista

Nesta segunda, dia 21, Tuta lança o livro Ninguém faz Sucesso Sozinho . Com a promessa da presença de boa parte dos profissinais da Jovem Pan e de outros radialistas, a noite de autógrafos acontece na Saraiva do Shopping Higienópolis, a partir das 18h. Ligado às comunicações desde os 18 anos, Tuta revela no livro os bastidores dos anos de ouro da TV Record, grupo de emissoras do seu pai e toda a trajetória da rádio Jovem Pan, onde atualmente é diretor presidente.

A Saraiva MegaStore do Shopping Pátio Higienópolis fica na Av. Higienópolis, 618 - Loja 315 e o telefone para informações é (11) 3662 3060.


O boletim Radioescuta Peças Raras de hoje apresenta mais detalhes e o convite levado ao ar na voz de Joseval Peixoto.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Acompanhe o texto que compõe o convite do lançamento do livro, assinado pelo próprio Tuta:

"Como eu sou do tempo em que rádio falava, venho aqui lhe trazer lembranças boas e más de minhas vivências neste setor profissional, que parece charmoso, mas depende basicamente do que qualquer outra atividade humana depende: talento, empenho, capacitação. Nada mais que isso. Este exercício de olhar para trás para lhe contar o que vi, ouvi e vivi me permite compreender que fiz muita coisa boa, ainda bem, mas nem tudo foram rosas, como, de resto, acontece com qualquer um em qualquer ramo profissional. É sempre muito gostoso contar as coisas boas, que fizeram sucesso, mas nem sempre é muito cômodo lembrar as cabeçadas, os erros, os enganos que resultaram em fiasco. Comprometo-me a entregar tudo e da forma menos desagradável possível. Quem sabe, até possa vir a ter a petensão de que o leitor tenha algo a aprender do que eu mesmo aprendi nos erros e acertos, na alegria e na tristeza, como dizem nos casamentos." Antonio Augusto Amaral de Carvalho.


A obra é da Escrituras Editora e tem prefácio de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que resume a história do livro desta forma, de acordo com matéria publicada no Jornal da Economia, de São Roque: “Quando todos os profissionais de rádio achavam que nada mais havia para ser feito nesse veículo, Tuta apareceu com a inovadora Jovem Pan, diferente de todos os modelos existentes no rádio de todo mundo (...) Na televisão, Tuta foi responsável por inovações no esporte e no entretenimento que entraram para a história do veículo. Com a experiência da televisão, quando liderou a equipe A, produzindo as mais importantes atrações da TV Record, ele usou o rádio para fazer aquilo que a televisão sonhava fazer, mas não conseguia realizar (...) Reconheço e respeito Tuta, saudando-o por todo o seu magnífico trabalho na televisão e no rádio. E por este livro, que registra sua indiscutível competência e seu espírito renovador”.

José Nêumanne Pinto foi responsável pela organização, coordenação editorial, coleta de depoimentos e texto final do livro.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Mês da Comunicação: a última entrevista de Hélio Ribeiro

Neste mês da Comunicação, com a proximidade do dia que marca a estreia da TV brasileira (18 de setembro de 1950) e do Dia do Radialista (21 de setembro), acompanhe o destaque do site Memorial Hélio Ribeiro.

Em setembro de 2000, às vésperas de ser vitimado por uma parada cardiorespiratória, aos 65 anos, o radialista analisou os rumos que o rádio e a TV vinham tomando no país. ´

Para ouvir e refletir sobre o pensamento de um dos principais homens de rádio que o Brasil já teve, clique aqui.

O áudio traz a íntegra de trecho que usamos recentemente para falar da origem da Rádio Capital e da ameaça desta emissora ser vendida para uma igreja. Ouça aqui.

É mais um áudio da série de homenagens aos profissionais desses meios de comunicação de massa que fascinam tanto os brasileiros. Nossa homenagem a todos aqueles que trabalham no rádio ou na TV pelo dia do Radialista.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Rádio Malaveia - a sua radiozona na internet, no iPhone e no iPod Touch

Você que entra com frequência neste blog já está acostumado a ouvir "a sua radiozona da internet". Agora, a Malaveiaweb vai além da tela de seu computador e está ao alcance de suas mãos 24 horas por dia.

A emissora pode estar ao seu lado onde quer que você esteja. A Malaveia é uma das primeiras emissoras web a contar com o aplicativo para iPhone. Uma tecnologia inovadora que fará você ouvir a RADIOZONA em qualquer lugar do mundo. Para baixar é simples e gratuito. Acesse a iTunes Store do seu iPhone e digite MALAVEIA. Pronto, você clica na mala e instala o aplicativo no seu iPhone. Ah, a Malaveia também funciona no iPod Touch.

Malavéia. Toca no seu computador, no seu celular e no seu coração!!!


foto do Galaxão do Malaveia


Conheça a história de Edu Malaveia, em entrevista concedida em janeiro de 2008 ao nosso podcast.
(se o player não abrir, clique aqui)

Acompanhe o descritivo da Malaveia na Applestore:
Nascida de uma brincadeira de fanáticos por radiodifusão, a Malaveia foi a rádio pirata pioneira na capital das Alterosas, transmitindo clandestinamente pelas duas últimas décadas do século XX. Acompanhando a revolução tecnológica, a Malaveiaweb é uma opção anti-sistema transmitida a todo o planeta on-line. Malaveiaweb - a Radiozona. Música inteligente e informação inerente!

BORN FROM A RADIO LISTENER´S JOKE, MALAVEIA WAS THE PIRATE RADIO WHO BRUSHED AND BLACKMAILED THE BELO HORIZONTE´S AIRWAVES IN 20TH CENTURY´S LAST DECADES. NOW, MALAVEIA CLOSE THE TECNOLOGICAL REVOLUTION AND TRANSMITTS TO ALL PLANET A MALAVEIA´S CALLING.



quarta-feira, setembro 09, 2009

Não tire a Capital do ar, pelo amor de Deus


No último dia 5 de setembro, recebi a mensagem do radialista Carlos Althieri, de Caruaru, Pernambuco. Entre outros assuntos, ele comentava que havia ouvido boatos de que uma igreja estava prestes a arrendar a Rádio Capital - 1040 KHz de São Paulo. Althieri também adiantou que já tinham sido publicadas algumas informações desde o dia 4 de setembro a respeito desse misterioso fato no site Bastidores do Rádio.

Como nosso leitor e ouvinte diz, onde há fumaça... além de mais duas notícias publicadas ontem no próprio Bastidores do Rádio sobre a possibilidade do fim da programação popular da Rádio Capital, o Observatório da Imprensa também divulga a notícia.

Sugiro uma campanha a todos os que gostam de rádio. Vamos enviar e-mails para o canal "Fale Conosco" do site da emissora e demonstrar solidariedade aos jornalistas, comunicadores e equipe de produção que tornaram a Capital novamente um grande sucesso.

Acompanhe a seguir, o texto do jornalista Luiz Carlos Ramos intitulado "O rádio aos 87 anos, a má notícia":

"A cada mês de setembro, quando do aniversário da chegada do rádio ao Brasil, busca-se uma notícia positiva, capaz de ressaltar que tal data pode ser comemorada com festa. Neste ano, porém, não há motivos para otimismo, apesar dos claros indicadores de recuperação da economia brasileira: o rádio, que já ganhara o apelido de "Primo Pobre" dos demais veículos da mídia, vem perdendo espaço a cada ano. E agora, exatamente em 7 de setembro, dia do 87º aniversário da transmissão pioneira de rádio no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, que daria origem a uma época lendária de grandes emissoras espalhadas pelo país, percebe-se que uma das principais rádios AM de São Paulo, a Capital, está com seu destino selado: algo indica que deixará de ser uma rádio de música, entretenimento, jornalismo e esportes para se tornar mais uma rádio de religião eletrônica, 24 horas por dia.

Este articulista define, desde já, que nada tem contra o uso do rádio e de outros veículos pelas religiões, sejam a católica, as evangélicas, a judaica, a budista ou a islâmica. Além disso, o Brasil deve ser laico, sem beneficiar esta ou aquela fé religiosa. Liberdade de culto, acima de tudo. Se possível, sem pressão na hora de cobrança do dízimo por meios eletrônicos.

Feita essa ressalva, ocorreu um fato jornalístico importante em pleno feriado da Independência: o diretor-geral da Rádio Capital, Francisco Paes de Barros, no cargo há quatro anos e meio, depois de ter dirigido outras rádios de peso, como Globo, Record, América e 9 de Julho, distribuiu um comunicado aos funcionários da emissora, à imprensa e à opinião pública, em que lança um apelo para que sejam afinal esclarecidos os rumos da emissora e, ao mesmo tempo, afirma acreditar na possibilidade de a Capital ir para as mãos de um grupo empresarial de tradição no rádio.

Segundo lugar

O texto de Francisco, reproduzido a seguir, tem como base o fato de nas últimas semanas terem crescido os comentários de que a Rádio Capital estaria sendo vendida ou arrendada para o pastor evangélico David Miranda, da Igreja Pentecostal Deus é Amor, que já controla outras emissoras no Brasil e em dezenas de outros países. O atual proprietário da Capital, Nelson Morizono, e seus procuradores não se manifestaram publicamente antes do comunicado de Francisco Paes de Barros.

A Rádio Capital, criada em 1978 pelo empresário Edvaldo Alves da Silva, dono das Faculdades Metropolitanas Unidas, ocupou inicialmente o antigo prefixo da Rádio Novo Mundo e, mais tarde, passou aos 1040 kHz que pertenciam à Tupi dos tempos de Assis Chateaubriand. Nos anos 1990, Edvaldo vendeu a Capital para Morizono, então dono do laboratório farmacêutico DM, conhecido por fabricar Vitasay, a "vitamina do Pelé", assim como Doril, Melhoral e outros produtos. A DM foi vendida para outro grupo empresarial há quase dois anos, mas Morizono conservou a rádio, em que os comunicadores Eli Corrêa, Paulo Lopes, Cinthia, José Carlos Gomes, Paulinho Boa Pessoa e Cícero Augusto são as principais atrações.

Com jornalismo e uma equipe de esportes, a Capital tem mantido o segundo lugar em audiência AM, com a média de 120 ouvintes por minuto, na Grande São Paulo, mas é captada também no interior e em outros estados e pode ser ouvida também pela internet.

Vale a pena ler o comunicado de Francisco Paes de Barros, a seguir.

A Rádio Capital foi vendida para o missionário David Miranda?
Na última sexta-feira, 4 de setembro, por volta das 18h30, recebi telefonema do engenheiro Tadeu, responsável pelo setor técnico da Rádio Capital, informando-me que representantes do missionário David Miranda telefonaram para o Jeová, técnico encarregado do sistema irradiante, em Diadema, participando que iriam avaliar o estado dos transmissores na segunda-feira, dia 7 de setembro.

Não autorizei a visita e, além disso, procurei imediatamente a Meire, procuradora do Nelson, dono da Rádio. Demonstrando surpresa, ela, em tom categórico, ratificou a minha decisão.
Os rumores a respeito do possível arrendamento com o compromisso de venda da Rádio Capital aumentaram bastante, depois desse fato do último fim de semana. Tenho recebido muitos telefonemas e indagações de funcionários. Eles querem saber se a Rádio foi mesmo vendida ao missionário David Miranda.

Como Diretor Geral da Rádio Capital, na qualidade de colega de trabalho de jornalistas, radialistas, publicitários e funcionários em geral e tendo em vista o interesse da imprensa e da opinião pública em saber o que está realmente acontecendo com a Rádio Capital (Rádio Novo Mundo Ltda.) – 1040 kHz – 200.000 watts de potência, tenho a dizer o seguinte:


A Rádio Capital AM prossegue com sua programação normal, que a levou ao segundo lugar em audiência entre as rádios AM na região metropolitana de São Paulo e à liderança no período da tarde.

Até o presente momento, porém, a procuradora do dono da Rádio não divulgou informação concreta aos diretores e funcionários sobre a possível venda ou arrendamento dessa emissora criada em 1978.

Os profissionais da emissora receberam com surpresa a notícia não confirmada de que a Rádio teria sido vendida ou arrendada.

Uma vez que a Rádio Capital passou por completa reestruturação nos últimos quatro anos, tornando-se lucrativa e ampliando seu prestígio junto aos ouvintes, esses profissionais torcem para que, no caso de ocorrer a confirmação da venda ou do arrendamento, a transferência do comando seja para um grupo de tradição no rádio paulista, capaz de manter o atual estilo de sucesso e de utilidade pública. Neste período, a Rádio Capital AM tem colocado em prática um estilo de rádio popular com responsabilidade social, valorizado por comunicadores e pelas equipes de jornalismo e de esportes. No campo da fé, a Capital é uma rádio ecumênica.

Importante notar um detalhe: a rentabilidade das emissoras de rádio que vivem do mercado publicitário não tem condições de competir com as vultosas importâncias oferecidas por pessoas estranhas ao meio radiofônico no momento da compra ou arrendamento de emissoras.

Centenas de emissoras de rádio e TV do País já estão nas mãos dessas pessoas ou abrem parte de sua programação para esses grupos. Com isso, emissoras de tradição são descaracterizadas. O verdadeiro rádio vai perdendo espaço. Pode ser a extinção das profissões de radialista e de jornalista do meio eletrônico, como rádio e TV.

Conheço o Nelson, dono da Rádio Capital, há quase 40 anos. Nosso relacionamento sempre foi profissional, inclusive nos últimos quatro anos e meio, período em que dirigi sua emissora. O tempo, o dinheiro, a fama e o poder não transformaram o caráter do Nelson. Ele é um homem simples, bom, sensível e muito humano. Era pobre quando começou a trabalhar; hoje é um dos maiores empresários do Brasil.

Empresário de espírito público, ele sabe que o avanço avassalador de pessoas estranhas ao meio radiofônico, ocupando espaços importantes nas emissoras de rádio e de televisão de quase todos os municípios do Brasil, ameaça o emprego de milhares de jornalistas, radialistas e publicitários.

E mais: Nelson sabe que o serviço de radiodifusão, "embora conduzido por particulares, na essência e na imanência, é público e de relevante interesse social".

Apesar dos fatos mais recentes, confio que o Nelson, pelo menos, mantenha a Rádio Capital em mãos de radiodifusores autênticos. Caso contrário, não só estarão ameaçados os empregos de 60 profissionais. São Paulo também sofrerá prejuízo: o rádio sairá perdendo grande parte de sua voz."

domingo, setembro 06, 2009

Há 87 anos o Brasil vive sintonizado no rádio

7 de setembro de 1922. Centenário da Independência. Uma importante exposição marca a data na então capital federal, Rio de Janeiro. O público brasileiro ouvia uma transmissão pioneira de rádio. Pelas caixas acústicas espalhadas no local, entre ruídos, foram sintonizados: o pronunciamento do Presidente da República, Epitácio Pessoa, a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, transmitida diretamente do Teatro Municipal, além de conferências e diversas atrações.


Roquette-Pinto em sua casa no Rio de Janeiro e o rádio que mantinha à cabeceira da cama (Foto: ABL)

Na ocasião, “muito pouca gente se interessou pelas demonstrações”, atesta Roquette Pinto, que, diferentemente da maioria, logo se encantou com a novidade. O desinteresse se deve à falta de qualidade do som emitido por dois transmissores norte-americanos, especialmente importados para o evento. Apesar das falhas, Roquette Pinto percebeu o potencial do meio de comunicação e, em virtude de seus empenhos pessoais, ficou conhecido como o pai do rádio no Brasil.


Ouça este fato relatado por Eli Corrêa em uma passagem na extinta Rádio X.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Roquette Pinto também está por trás da inauguração da primeira emissora brasileira. Juntamente com Henrique Morize (então presidente da Academia de Ciências), ele inaugurou em abril de 1923 a primeira emissora brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A propósito, não é a toa que as primeiras emissoras mantinham em seu nome os termos “sociedade” ou “clube”. As emissoras surgidas durante toda a década de 1920 eram empreendimentos não-comerciais mantidos por grupos de aficcionados por rádio, geralmente cientistas, intelectuais e pessoas ligadas à cultura. Com o objetivo de disseminar cultura e informação, na realidade, serviam mais para a diversão dos membros dessas sociedades ou clubes, mantidos por sócios que pagavam mensalidades e cuidavam também de suas programações, inclusive escrevendo, tocando, cantando e ouvindo eles mesmos. Um fator que contribuía muito para isso era o elevado custo do aparelho receptor.

Marcelo Gomes, leitor atento e ouvinte participativo dos nossos boletins, tem contribuído com opiniões e materiais relevantes sobre rádio. No último dia 9 de julho, recebi por e-mail o número 1 da revista "Antenna - radio para todos", de abril de 1926. Segundo Gomes, "através dela, que tinha o honroso título de "órgão official do radio clube do Brasil", dá para se ter uma ideia daqueles primórdios do rádio brasileiro, que na ocasião contava com o espantoso número de 10 (dez) estações (pag 34) - reparem a potência de transmissão de cada uma delas. Interessante também é a proposta para sócio, na página 24."

Baixe aqui o arquivo em PDF da edição número 1 da revista

Nosso colaborador de Macaé, afirma ainda que até uns 2 anos atrás a revista ainda circulava, com o nome de "Antenna - Eletrônica popular".

Para ficar em sintonia com o podcast Peças Raras
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sexta-feira, setembro 04, 2009

É raro e humano: pressão tem quem cedo madruga, diz Maradona

Um dos quadros de maior destaque deste nosso espaço radiofônico é o É Raro e Humano, que reúne deslizes do rádio ao vivo.

Este aconteceu há pouco na Bandnews FM. A notícia era lida tranquilamente, até que a locutora se surpreende diante da declaração de Maradona, que afirmou não estar com medo da seleção brasileira e que "pressão tem quem sai às 5 da manhã para trabalhar".

Como se não bastasse, Luiz Megale parece que sente também a pressão de ter acordado cedo e erra o horário. Em vez de 8:46, ele diz categorigamente 6:46.


Ouça aqui o trecho no ar.
(se o player não estiver visível ou quiser baixar o áudio, clique aqui)

Bom divertimento!

quinta-feira, setembro 03, 2009

Amanhecendo para o mês da Comunicação

Setembro é tradicionalmente o mês da Comunicação no Brasil. Dia 7 (primeira transmissão de rádio no Rio de Janeiro em 1922); 18 marca o início da TV em 1950; 21 é o dia do Radialista; 25, do Rádio.

Para comemorar, teremos duas entrevistas exclusivas da maior importância. O repórter Daniel Grecco conversou com Heródoto Barbeiro e a íntegra da entrevista você terá em breve neste blog. Também nas próximas semanas, confira um bate-papo com Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta da Jovem Pan, que lança o livro Ninguém Faz Sucesso Sozinho - relacionando fatos de sua vida com a história do rádio - no próximo dia do radialista.


Por ora, fique com o boletim de hoje, transmitido pela Malaveiaweb.


Ouça a tradicional música usada pela Jovem Pan AM às 7 horas da manhã, há mais de 3 décadas.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Amanhecendo, de autoria de Billy Blanco, encaixa-se perfeitamente ao perfil dos paulistanos e tem sido a trilha de várias gerações na hora de acordar para mais um dia de trabalho ou estudo.

Continue em sintonia com nosso blog e fique por dentro das comemorações do mês da comunicação.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O Tetra tá na rede: Transamérica na Copa 94

No início dos anos 1980, um repórter aparentemente tímido e desajeitado, mas, na verdade, destemido e muito bem articulado, deu o que falar. À época, Marcelo Tas deu vida a um personagem que se confunde com a personalidade dele mesmo. Ernesto Varela alcançou grande êxito com suas perguntas corajosas dirigidas a personalidades e políticos brasileiros. Para muitos, foi o embrião do melhor estilo jornalismo moleque praticado atualmente pela garotada do CQC, só que em outro contexto social (o do início da reabertura política), o que tornava os quadros ainda mais importantes.

Depois de passar pela Gazeta, na Copa de 86, o SBT aproveitou o estilo independente do repórter e o levou para fazer matérias especiais na cobertura que a emissora fez do evento.



A entrevista com Nabi Abi Chedid, que você vê aqui, marcou época.



Duas copas depois, em termos de inovação, quem esteve com a bola toda foi a Transamérica FM. A emissora dava o ponta-pé inicial no campo do esporte e transmitia em rede, via satélite, os jogos do Brasil. No terreno do bom humor, a cobertura também foi campeã.


Ouça a participação do ouvinte Odair Moreira e, em seguida, um trecho das reportagens apresentadas durante a Copa de 94.
(se o player não estiver visível, clique aqui.)

Essa gravação foi feita pelo nosso ouvinte Odair quando ele ainda morava em Assai, no Paraná. Ele nos conta que costumava se reunir com os amigos para assistir aos jogos da seleção ouvindo a Transamérica e que a casa virava uma verdadeira festa. Odair relata que o áudio casava perfeitamente com a imagem da TV e ressalta que havia muitos efeitos sonoros.

Em breve, você confere o segundo tempo deste programa especial sobre a cobertura da Transamérica na Copa de 94.