quinta-feira, setembro 30, 2010

Música para Eleger – os inesquecíveis jingles políticos da Eleição de 89

Lula e Collor, em debate de 1989

No capítulo anterior, comentamos da expectativa em relação à força que a TV alcançaria na decisão do voto.

Este poder só foi efetivamente percebido na eleição presidencial de 1989. Os debates apresentavam duelos memoráveis. Lula e Collor dividiam as atenções dos eleitores, representando pensamentos políticos bem diferentes. Para muitos, foi a TV, ou mais especificamente o Jornal Nacional, que decidiu aquela eleição, ao apresentar uma edição manipulada do último debate entre os dois candidatos.

Mas o momento também foi marcado pela transmissão obrigatória do horário eleitoral no rádio e na TV e pelo desenvolvimento do Marketing Político. Os candidatos passam a ser oferecidos como produtos. A embalagem é apresentada pela televisão, que se encarrega de levar a imagem que os responsáveis pela Comunicação de cada campanha criam. Ao rádio, cabe a missão de fazer que os jingles fiquem na mente do povo brasileiro.

Os mesmos compositores que desenvolvem canções publicitárias para grandes marcas passam a cuidar da elaboração dos jingles políticos.

Clique aqui e ouça alguns clássicos das eleições de 1989: Lula Lá; Brasil vai colorir; Eymael, um democrata cristão; além de músicas das campanhas de Ulysses Guimarães e Silvio Santos.

Não perca no próximo capítulo, a polarização entre PSDB e PT. Lula e FHC foram responsáveis pelas disputas nos anos de 1994 e 1998.

Ficha Técnica:
Os jingles da eleição 89 foram extraídos do CD Os 20 Maiores Jingles Políticos de todos os tempos (outubro de 2004), da série Flashback, publicada na Revista Super Interessante. Acompanhe as faixas e os respectivos créditos:
- Lula Lá - Hilton Acioli (Viceversa);
- Brasil vai Collorir - Carlinhos Borba Gato (Moshi);
- Eymael, um democrata cristão - José Castro (Alabama);
- Silvio Santos vem aí - Marcos Possato (Lipstick);
- Ulysses e Waldir - Marcos Possato (Echo's)

Observação: note que não é um mero acaso a semelhança entre os jingles de Silvio Santos e Ulysses Guimarães, já que foram compostos pelo mesmo autor.


quarta-feira, setembro 29, 2010

Música para Eleger – os inesquecíveis jingles políticos dos anos 50 e 60

No segundo capítulo da série Música para Eleger, nosso destaque vai para uma coletânea de jingles políticos publicada pela revista Meio & Mensagem, no final dos anos 1980 (para celebrar a volta das eleições diretas). O CD inclui composições do período que antecedeu a instauração da ditadura militar no Brasil, em 1964.

Nossas peças raras são voltadas para essas incríveis canções políticas. Para mim, elas têm um poder acima do bem ou do mal. Em alguns casos, mesmo quando não nos identificamos com o candidato, os refrões atrelados à campanha dele permanecem em nossa memória.

Relembramos nesta edição algumas produções feitas para a eleição presidencial de 1960. É desta época, um dos mais famosos bordões ligados a um candidato à presidência da república: "varre, varre vassourinha". Repare como o clima de marchinhas carnavalescas imperavam nas canções políticas.

Clique aqui e ouça jingles da campanha de Jânio Quadros.

Acompanhe também as composições que exaltavam Ademar de Barros.

Aqui, um mix com trechos de outras canções que marcaram a disputa de 1960, que incluía ainda o Marechal Lott.

Se, até aqui, o rádio havia sido fundamental na propagação de conceitos sobre as mais diferentes vertentes políticas, a grande expectativa ficava em torno do papel que a TV desempenharia nos eleitores brasileiros. Mas esse poder só seria descoberto duas décadas depois. A ditadura militar varria a criatividade e acabava com a alegria do povo brasileiro.

No próximo capítulo, os jingles que marcaram a redemocratização e a disputa presidencial de 1989.

terça-feira, setembro 28, 2010

Música para Eleger - os inesquecíveis jingles políticos (Capítulo 1)

Em toda eleição, não há muito como fugir deles. Prometendo muitas vezes o que não é possível cumprir, dizendo o que todo mundo quer ouvir.

Não. Desta vez, não me refiro aos políticos. Mas sim aos jingles que tentam fazer a cabeça, ou melhor, ficar na cabeça do eleitor.

Às vésperas de mais um pleito, acompanhamos uma disputa de canções publicitárias que chega a lembrar um duelo entre repentistas.

Houve um tempo, no entanto, que a produção não era tão simples. Por isso, eram criadas menos músicas, que – em contrapartida – ficavam mais tempo ligadas ao respectivo político.

Antes de viajarmos pelo incrível mundo dos jingles políticos, um momento impagável proporcionado pelo rádio.


Ouça aqui alguns comerciais das décadas de 30 e 40 e, em seguida, a sátira política comandada por Alvarenga & Ranchinho.
(se o player não estiver visível, clique aqui para ouvir ou baixar)

Com seu humor popular, a dupla não poupou ninguém de suas críticas. A ironia e a inteligência transmitidas pelo rádio eram da maior importância. Afinal, vivíamos o auge da popularização desse meio de comunicação e, em uma população de analfabetos, o rádio tinha um forte poder de decisão.

No próximo capítulo, vamos relembrar jingles políticos criados para a eleição de 1960. Entre os destaques, a vassourinha de Jânio Quadros. Até a próxima.


sexta-feira, setembro 24, 2010

Emissoras do Grupo Bandeirantes de Comunicação celebram o Dia do Rádio

Rádio Bandeirantes, BandNews FM, Rádio SulAmérica Trânsito, Mit FM, Band FM e Nativa FM entram em rede para comemorar a data
Foto: Camila Mattoso
(a partir da esq: José Paulo de Andrade, Jones Mendes,
Ricardo Boechat, Murillo Jr., Felipe Bueno e Fernando Solano)

Por André Rizzatto (assessoria do Grupo Bandeirantes de Rádio)

As emissoras de rádio do Grupo Bandeirantes de Comunicação entraram em rede hoje, às 8h15, para celebrar o Dia do Rádio, comemorado neste sábado, dia 25 de setembro.

Nessa transmissão especial, os apresentadores José Paulo de Andrade (Rádio Bandeirantes), Ricardo Boechat (BandNews FM), Felipe Bueno (Rádio SulAmérica Trânsito), Fernando Solano (Mit FM), Murillo Jr. (Band FM) e Jones Mendes (Nativa FM) falaram da importância do meio que completa 87 anos.

A homenagem pode ser ouvida aqui.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Campanha de Anador usa áudio 3D

Imagem do moderno capacete que bloqueia problemas
e evita dores de cabeça: "muito melhor que Anador"

Com produção da Nova Onda, a campanha “Contra dor de cabeça, não inventa. Anador!” utiliza o áudio 3D em sete spots.

Para conferir a novidade, é preciso ouvir as peças com fone de ouvido. A tecnologia, também chamada de binaural, transmite ao ouvinte a sensação de estar no ambiente sugerido.

Clique aqui e viaje pelos comerciais, que têm locução de Odayr Baptista e criação assinada pela agência Gringo.

Em matéria publicada no Adnews, o produtor Rodolfo Ferrari explica que “essa campanha não teve uma trilha constante. Todas as peças foram desenvolvidas e pensadas isoladamente, até porque, o sound design teve uma participação extremamente importante na ideia de cada peça”, Os spots foram finalizados em Londres, no novo escritório da produtora.

Saiba mais sobre a tecnologia para produção de áudio em 3D ao acessar esta postagem de 02 de agosto em que exploramos o assunto.

domingo, setembro 05, 2010

A curiosa história do logoton (trilha) que embala o esporte na Rádio Bandeirantes


Mier, abaixo, à direita, integrante do time de colunistas do Você é Curioso?
e comandante do quadro Os Caçadores da Música Perdida

O programa Você é Curioso?, apresentado por Marcelo Duarte e Silvânia Alves, na Bandeirantes, é - na minha opinião - uma das melhores atrações do rádio atual.

Recheado de quadros relacionados à cultura geral, descobrimos verdadeiras peças raras a cada sábado, quando o programa vai ao ar a partir das 10 da manhã (com o horário político, tem começado mais tarde).

No dia 21 de agosto, o colaborador Antonio Mier, em seu “Caçadores da Música Perdida”, respondeu à dúvida de um ouvinte sobre a música das transmissões esportivas da emissora.


Ouça aqui a participação e conheça a origem da antiga abertura das Jornadas esportivas.
(se o player não estiver visível ou quiser baixar o áudio, clique aqui)

Na edição da semana seguinte, no dia 28 de agosto, outro ouvinte colaborou com o programa e trouxe uma nova informação. Segundo Antonio Mier, "a melodia da música pode ser encontrada também em I've Be Working on The Railroad", anterior à “The Eyes of Texas Are Upon You”.

No Blog do Curioso, você encontra dois clips extraídos do Youtube em que a base da música é ouvida. Um com Elvis Presley na interpretação, em 1963, de “The Eyes of Texas Are Upon You”, composta em 1903 por John Sinclair. O outro clip é o tema de abertura de uma famosa série dos anos 50 da TV americana, “Tales of Texas Rangers”.

Além de ser executada em toda abertura do Domingo Esportivo, de Milton Neves, o tema ainda hoje marca eventos solenes e esportivos nos EUA.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Estreia hoje documentário sobre Ademar Casé

Ademar Casé é o grande nome do rádio comercial no Brasil. De origem humilde, ainda muito jovem, descobre no aparelho a possibilidade de entrar em sintonia com um admirável mundo.

No início da década de 1930, quando o rádio ainda vivia a fase dos clubes e das sociedades - em que as emissoras eram mantidas pelas mensalidades de seus sócios - e não passava de um meio de comunicação restrito às elites, Casé se torna o principal representante da Philips no Brasil. Naquela época, havia ingressado na empresa para vender aparelhos da ainda desconhecida novidade.


Ouça aqui um depoimento de Casé sobre o início da relação dele com o rádio.
(se o player não abrir ou quiser baixar este áudio, clique aqui)

O filme Programa Casé - o que a gente não inventa, não existe conta por meio de depoimentos a história de como o avô de Regina Casé vira uma celebridade do mundo da comunicação. Em seu programa, o comunicador leva ao ar pela primeira vez novidades como a Música Popular Brasileira de Carmem Miranda, Noel Rosa e tantos outros que eram marginalizados; e o jingle (a propaganda no rádio só havia sido autorizada naquele ano de 32, dez anos após a primeira transmissão no Brasil).

Veja o trailler do filme: 


Entre outras salas, em São Paulo, o documentário está em cartaz no Frei Caneca Unibanco Arteplex:
R. Frei Caneca, 569, 3º piso - Consolação - Centro. Telefone: 3472-2365.
Sala 05 - 17h, 20h30 e 22h10 (projeção digital).


quinta-feira, setembro 02, 2010

Morre, aos 75 anos, o radialista Lourival Pacheco

O radialista Lourival Pacheco faleceu na noite da última quarta, dia 1º de setembro, aos 75 anos de idade. Fora do ar na atulidade, o comunicador empunhou o microfone da Rádio Bandeirantes por cerca de 4 décadas.


Ouça a homenagem levada ao ar no Jornal Gente.


No livro Histórias que o Rádio não contou, de Reynaldo Tavares, há uma passagem hilária envolvendo Lourival Pacheco:

"O Papa Pio XII (Eugênio Pacelli), que se elegera chefe supremo da Igreja Católica em 1939, dezenove anos após, ou seja, em 1958, encontrava-se muito mal de saúde.
A divisão de radiojornalismo da Rádio Bandeirantes de São Paulo PRH-9, que era comandada por Alexandre Kadunc, preparou um programete antecipado, com a biografia, crônica e nota do falecimento, no aguardo da notícia fúnebre do Vaticano. Numa quarta-feira à tarde, o teletipo da France Press tilintou urgente: "Cidade do Vaticano. O papa Pio XII acaba de..."

O redator de plantão, Moacyr Fernandes, nem esperou o fim da transmissão. Correu para o estúdio, providenciou a vinheta para a notícia extraordinária e a fita foi para o ar. Acontece que o telegrama integral da FP dizia: "O Papa Pio XII acaba de entrar... em profundo coma". Moacyr, atarantado, ligou para o estúdio, determinou a interrupção da homenagem póstuma ao Pontífice e solicitou ao locutor Lourival Pacheco que desse alguma explicação aos ouvintes. Este, impassível, lascou no ar: "- Lamentamos informar que o Papa ainda não morreu..."

Quem conseguiu captar primeiro e transmitir em "furo de reportagem" o desaparecimento do Sumo Pontífice foi o repórter Nemésio Prado, pelas ondas da PRB-4 Rádio Clube de Santos, na ocasião pertencente à Organização Victor Costa."

A foto abaixo, extraída do blog de José Nello Marques, mostra a equipe da Bandeirantes, em 2006, da qual Lourival era destaque.
Redação da Rádio Bandeirantes - 2006 - Da esquerda para a direita Antonio Carvalho, Silvania Alves, eu, Débora Raposo, Joelmir Beting, Jane Cristina, Salomão Esper, Lourival Pacheco, Zancope Simões e Haissen Abaki