segunda-feira, abril 25, 2011

Nada além de 1 ou de 2 minutos?

 
Segunda-feira acordo às 5 da matina, em função de ser o dia do rodízio do meu carro (em São Paulo, veículos com placas finais 1 e 2 não devem circular entre 7 e 10 h.) e pela necessidade de estar em sala de aula às 7:30 h.

Isto fez com que eu ficasse um bom tempo sem conseguir acompanhar o Programa Silvio Santos nos finais de noite de Domingo. Ontem, no entanto, com insônia, acabei por assistir ao "Nada Além de 1 Minuto".

A "novidade" tem nada além de 64 anos. Você ouviu bem. Em 1947, pelas ondas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, estreia um programa de Variedades, com produção de Paulo Roberto e patrocínio do Sabonete Gessy. A atração era levada ao ar às 8 da noite e durava meia hora. O nome? "Nada Além de dois Minutos". Intercalando números musicais de grandes estrelas da época, como as rivais Marlene e Emilinha e quadros com o elenco de radioteatro da emissora, na época, mais ouvida do Brasil.

Ouça aqui a abertura do original do programa, que estreou em agosto de 1947.

Segundo descrição do programa, extraída do acervo da Collectors Editora, a ideia do programa era "irradiar qualquer número artístico em apenas dois minutos: músicas, anedotas, fatos históricos, estatísticas, curiosidades, teatros etc. Eram contadas pequenas histórias e apresentados pequenos diálogos cômicos."

Silvio Santos não foi o primeiro a se basear no programa de Variedades da Nacional. Em depoimento ao programa "Você é Curioso?", da Rádio Bandeirantes, o jornalista José Paulo de Andrade revelou que o "Pulo do Gato" para o sucesso do radiojornal que está há 38 anos no ar é se basear no conceito do antigo programa da Rádio Nacional. Zé Paulo revela que no matutino de maior audiência do rádio atualmente nenhum assunto fica mais do que 2 minutos no ar.

Conheça mais sobre "O Pulo do Gato" nesta edição especial do podcast Peças Raras, de abril de 2008. A revelação sobre a relação entre a antiga atração da Rádio Nacional e a agilidade do noticiário da Rádio Bandeirantes está aos 17 minutos e 40 segundos.





sexta-feira, abril 15, 2011

O genial Zé Béttio de Serginho Leite; por Carlos Coraúcci

Em homenagem a Serginho Leite, que nos deixou na terça-feira (leia aqui), reproduzo, a seguir, trecho de um dos capítulos do livro Um Show de Rádio: a vida de Estevam Sangirardi, de Carlos Coraúcci.

"A história do rádio seria outra se não existisse o radialista e apresentador de programas sertanejos Zé Bettio. Trabalhou em várias emissoras, mas foi na Rádio Record, na década de 1970, que ele chegou ao seu apogeu. Teve durante bons anos mais de 40% de audiência. Bem antes de começarem os noticiosos matinais, lá estava ele com seu estilo marcante para chamar a atenção das donas de casa, indicando milgagres para a saúde e bem estar, tratamentoe para 'o gordo' e para família inteira. Isso sem contar os sábados à noite no Bailão do Cine Coliseu, um cinema que ficava no bairro do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, transformado em salão de baile.


Ouça Zé Béttio na Rádio Record, em gravação de 1º de maio de 1976 (colaboração de Celso Antonio, do Memorial Hélio Ribeiro)
(se o player não estiver visível ou quiser baixar este arquivo, clique aqui)

O mote 'Zé Béttio' foi o grande responsável para que Sérgio de Souza Leite, nascido em São Paulo, no Hospital e Maternidade Matarazzo em 13 de setembro de 1956, ganhasse uma chance com Sanja no 'Show de Rádio'. Com um talento invejável e tendo como grande sonho tornar-se pianista, Serginho com seus dezoito anos frequentava diariamente o Bar do Alemão, na Avenida Antártica, próximo à Sociedade Esportiva Palmeiras. Corria o ano de 1974 e os assíduos frequentadores da mesa oito do referido bar já faziam seus sons e inovações. Ao lado de Tom Zé, Carlinhos Vergueiro, Vicente Barreto e muitos outros, Serginho Leite aprofundava-se cada vez mais na música. Sempre foi autodidata e sua dedicação era impressionante. (...)

Num certo domingo de 1978, após a Copa do Mundo da Argentina, Serginho chegou ao Edifício Winston Churchill, na Avenida Paulista, e encontrou na galeria, que é o hall do prédio (em que fica a Jovem Pan), Odayr Baptista, Weber Laganá e Carlos Roberto Escova, todos tomando cafezinho.

Os três haviam acabado de se demitir do programa. Serginho subiu até o 24º andar e encontrou Sanja se remoendo dos nervos. Não tinha ninguém para fazer o programa daquele domingo. Meio que no improvisosurgiu a chance que Serginho tanto sonhara (conheça mais aqui). Acalmou Sanja e fez junto com Douglas Rassputin, Ivan de Oliveira e Alaor Coutinho o programa daquele dia. Logo em seguida, trouxe para Sanja várias ideias, inclusive a que substituiria a Rádio Camanducaia: o programa Zé Béttio. Apoiado pelo técnico, que também trabalhava na Rádio Record, ou seja, muito próximo do imitado, Serginho conquistou grande popularidade, e o seu 'Zé Béttio' também marcou época.


Acompanhe a imitação de Serginho Leite para Zé Béttio em edição do Show de Rádio, na Bandeirantes AM, em 1997.
(se o player não estiver visível ou quiser baixar este áudio, clique aqui)

No 'Show de Rádio', o Zé Béttio de Serginho Leite era assim:

Música de fundo: Quem é...
Serginho: É o Zé Béttio
Música: Que não sofre por alguém / Quem é...
Serginho: É o José "Thatcher Béttio"!
Música: Que não chora uma lágrima sentida / Quem é...
Serginho: É o José "Maluf Béttio"... Manhê... Manhêêêê. Este é o programa internacional, do episcopal e por que não dizer do divino Zé Béttio...


quarta-feira, abril 13, 2011

O Show tem que continuar

Nem que seja na nossa memória, o Show de rádio do talentoso Serginho Leite precisa prosseguir. Entre muitos trabalhos de destaque do comunicador, que nos deixa mais tristes a partir desse dia 12 de abril de 2011 (leia mais aqui), está a participação fundamental que teve no Show de Rádio. No programa que criou a fórmula, hoje comum, de se misturar futebol e bom humor, Serginho foi exaltado por Estevam Sangirardi.

Clique aqui para ouvir entrevista do criador do Show de Rádio, concedida ao Rádio Matraca (à época também apresentado na Rádio Gazeta FM). Aos 7 minutos e 50 segundos do áudio, Sanja fala sobre Serginho Leite.

Serginho Leite entrou para o Show de Rádio por indicação de Alaor Coutinho (autor do tema de abertura do programa, a partir da música Hino ao Músico, de Chico Anysio e Chocolate). Na fase em que boa parte dos integrantes migrou para a equipe de Osmar Santos, que havia deixado a Pan e estreado na Rádio Globo, Sangirardi e Serginho Leite continuaram a tocar o Show de Rádio praticamente sozinhos.

Em gratidão à esta fidelidade, depois da morte do titular, Serginho Leite era o único que detinha o direito da marca do programa, que ainda teve algumas passagens pela Rádio Bandeirantes e Capital.



Ouça aqui a última edição do Show de Rádio na Rádio Bandeirantes, em maio de 1998.

(se o player não estiver visível ou quiser baixar o áudio, clique aqui)

Crédito: o áudio do Show de Rádio na Rádio Bandeirantes foi cedido pelo parceiro de Peças Raras, Sidney Corrêa.



terça-feira, abril 12, 2011

Serginho Leite: quem tanta alegria transmitiu, agora nos faz chorar


Estou literalmente em estado de choque, após receber uma mensagem de minha esposa comunicando a morte prematura de Serginho Leite. Cresci ouvindo o genial comunicador e inigualável imitador de Zé Bettio. Lembro-me com saudade das paródias inteligentes que fez para a Jovem Pan FM. Ainda esta semana, neste blog, vou publicar alguns áudios históricos na voz de Serginho Leite, durante a passagem que teve no comando do Show de Rádio, pela Bandeirantes AM.

Por ora, reproduzo entrevista concedida pelo também saudoso Estevam Sangirardi ao programa Rádio Matraca. Ao falar do seu "Show de Rádio", Sanja deu muito valor a Serginho Leite em uma fase do programa. Acompanhe aqui.

A seguir, texto publicado no blog de Milton Neves hoje:

por Marcos Júnior

Sérgio de Souza Leite, o Serginho Leite, faleceu aos 55 anos, em 12 de abril de 2011, vítima de infarto.
Ele passou mal no dia anterior e foi internado na UTI do Hospital das Clínicas, zona sul de São Paulo. Serginho era casado com Tânia Leite, com quem teve dois filhos: Pedro e João.

Grande imitador, foi um dos nomes do "Show de Rádio" da Jovem Pan e em uma fase mais recente da Bandeirantes, fazendo vozes como Pelé, Maguila, Paulinho da Viola, Vicente Matheus e Clementina de Jesus, entre outros.

Violonista e compositor, fez inúmeras paródias e também criou jingles e participou de campanhas publicitárias, emprestando sua marcante voz para personagens como o "Tigrão" dos Sucrilhos Kellogs e o Elefante da Cica.

Serginho começou fazendo shows como violonista aos 17 anos, em bailes e orquestras na TV Tupi, em São Paulo.

Em televisão, Serginho participou de programas na TV Cultura, Record e Globo, mas foi no rádio que sua carreira ganhou maior notoriedade, como uma das principais vozes do "Show de Rádio" da Jovem Pan, um programa ao vivo, que começava tão logo terminava a rodada do futebol, com improvisações e imitações que contagiaram o público ouvinte nos anos 70 e começo dos anos 80.

Paralelamente ao trabalho na Jovem Pan-AM, ancorou um programa de notícias na Rádio Cidade FM, e por questões contratuais não apresentava-se como humorista, pois nesse setor era exclusivo da Jovem Pan.

Com o crescimento das FMs, Serginho passou para a Jovem Pan-FM, onde apresentou um programa musical.

O Brasil vivia a ditadura militar no começo dos anos 80 e as paródias musicais de Serginho Leite lhe renderam alguns problemas, quando o humorista foi diversar vezes levado  por policiais ao término dos programas para prestar esclarecimentos.

Depois teve uma passagem pelo Sistema Globo de Rádio, onde atuou na Rádio Globo FM e na Excelsior AM, também do mesmo grupo.

Voltou a fazer o "Show de Rádio" pela Rádio Capital-AM em 2005, tendo ao seu lado nomes como Weber Laganá Pinfari, Luis Henrique Romagnoli, Norival Rizzo, Babú, Doni Vieira, Olivério Júnior, e seu filho, Pedro Leite.

Serginho sofreu problemas com alcoolismo e teve momentos de melhora e recaídas, e preparava-se para montar um novo show, segundo informação de seu amigo Weber Laganá Pinfari.

CONHEÇA MAIS:
Entenda o que representou o Show de Rádio como origem dos programas que misturam humor e futebol.


domingo, abril 10, 2011

Brasil perde o jornalista Reali Júnior

Do site Jovem Pan online

Correspondente da Jovem Pan em Paris por mais de 30 anos, ele tinha 71 anos


Luciana Ferreira

Morreu na manhã deste sábado, por conta de uma parada cardíaca, o jornalista da Jovem Pan Elpídio Reali Júnior, ou simplesmente Reali Júnior. Durante mais detrês décadas, ele foi a cara e a voz da JP na Europa, falando diretamente da Maison de la Radio, em Paris, na França, sobre política, economia, esportes e todos os acontecimentos que mobilizavam o Velho Continente.

Reali, que também trabalhou em O Estado de S. Paulo e nos Diários Associados, além de passagens pelos mais importantes veículos de comunicação do Brasil, começou na Jovem Pan em meados da década de 1950, atuando como repórter esportivo, e mudou-se para a França em 1973, durante o regime militar, e sua casa na capital francesa foi, durante anos, uma espécie de embaixada informal dos brasileiros que visitavam a cidade.


Ele recebeu os troféus Comunique-se e Roquete Pinto e, em março de 2009, foi agraciado com o título de professor Honoris Causa da FMU, por conta de sua dedicação e importância para o jornalismo. Em 2007, Reali Júnior lançou o livro Às Margens do Sena, em que contava suas experiências ao longo de 50 anos de profissão.


Ele deixa a mulher, Amélia, e quatro filhas. O velório, que começa no final da tarde de hoje, ocorre no Funeral Home, que fica na Rua São Carlos do Pinhal, 376, perto da Avenida Paulista, e o corpo será cremado neste domingo, no cemitério de Vila Alpina.

Clique aqui e acompanhe uma série de depoimentos em homenagem a Reali Jr. transmitidas durante todo o sábado pela Jovem Pan.



sábado, abril 02, 2011

Interferência 01 - Patrulha Bandeirantes



Neste sábado, 02 de abril, estreou o quadro Interferência, no Você é Curioso?, da Rádio Bandeirantes. No primeiro sábado de cada mês, vou comandar a atração no programa de variedades da emissora que vai ao ar das 10 às 12 horas.

Confesso que interferir como colaborador de um dos programas que mais gosto (o outro é o Na Geral) na emissora que mais admiro é um dos maiores prêmios que já tive em minha carreira de comunicador.

Acompanhe aqui a 1ª edição do quadro e, em seguida, alguns comentários enviados pelos ouvintes.
(Se o player não estiver visível, clique aqui)

Na estreia, falamos sobre o programa pioneiro do gênero policial no rádio, o Patrulha Bandeirantes. Na sequência, os apresentadores Marcelo Duarte e Silvânia Alves contam com as participações mais que especiais de Salomão Ésper e Francisco Prado para reproduzir nos dias de hoje o formato de radioteatro do antigo programa.

Conheça mais:
Patrulha Bandeirantes. Defendendo a cidade contra com o crime. Não havia em São Paulo quem não conhecesse esse bordão. Entre 1955 e 1974, o programa se destina a dramatizar os crimes publicados pelos jornais no dia anterior.

Apresentado toda manhã, o radioteatro contava ainda com utilidade pública e com a ronda das delegacias no quadro “As Bronca e os Afano do Dia”. Durante boa parte de sua permanência no ar, o narrador titular foi Leonardo de Castro. No elenco, merecem destaque também Muíbo César Cury e Ronaldo Baptista.

Os sons de tiros, batidas de carros, gritos e de tudo o que dava clima às histórias radiofonizadas pelo Patrulha Bandeirantes permaneceram no ar até 1974. É curioso observar o sucesso do programa em uma fase em que o radioteatro já não era comum. As equipes estavam enxutas e os grandes elencos tinham perdido espaço para os disck-jóckeis. No campo policial, repórteres especializados se encarregam de narrar histórias de crimes. Na própria Bandeirantes, José Gil Avilé, o Beija-Flor, foi pioneiro no estilo.

Lançada e idealizada por Clodoaldo José, Patrulha Bandeirantes chegou a ter sua versão televisiva. No dia13 de maio de 1967 entra no ar a TV Bandeirantes. No anúncio publicado nos principais jornais, o texto ressalta que naquela segunda-feira, às 4 e meia da tarde, o início da “programação completa” incluía... o Clube dos Heróis, o primeiro capítulo de Os Miseráveis, Ary Toledo, Jericho, Patrulha Bandeirantes e Os Titulares da Notícia, outro grande jornalístico que teve origem na Rádio Bandeirantes (veja anúncio da Folha de São Paulo no início desta postagem).

Patrulha Bandeirantes surge em um período em que o rádio já sofria a concorrência da TV. Aos poucos, boa parte do elenco, da programação e da verba publicitária migram para o novo meio de comunicação.
O rádio busca saídas mais econômicas. O elenco de radioteatro se torna reduzido e passagens curiosas ganham espaço, como a contada por Salomão Ésper envolvendo Zezinho Cutulo.

Patrulha Bandeirantes marcou época e até hoje faz escola no rádio brasileiro. Entre os grandes nomes que escreveram para o programa, além de Clodoaldo José, destacam-se Luiz de Oliveira, Arapuã, Cardoso Silva, Hélio Rossi, Chico de Assis e Thalma de Oliveira.

OUÇA MAIS:
Acompanhe aqui uma história completa levada ao ar em dezembro de 1972 e reapresentada no programa Memória, do jornalista Milton Parron.


Acompanhe minhas outras Interferências aqui