domingo, julho 22, 2012

Cantinho de Saudade: 95 anos de Ary Silva, por Milton Neves

Ary Silva com Garrincha, em 58
Acervo: Gazeta da Zona Norte

Se estivesse vivo, o jornalista Ary Silva teria completado 95 anos de idade nesse dia 21 de julho.

Em homenagem a um dos maiores cronistas esportivos do rádio, da TV e da mídia impressa, acompanhe um Cantinho de Saudade na voz de Milton Neves. O texto é de Marcelo Abud.

O texto, na íntegra, está disponível no site Terceiro Tempo. Clique aqui para ter acesso.
O quadro Interferência, apresentado todo primeiro sábado do mês no "Você é Curioso?", também prestou homenagem a Ary Silva, lembrando o espírito olimpíco do jornalista. Acompanhe aqui.



sexta-feira, julho 13, 2012

Mauro Beting dá voz à conquista da Copa do Brasil pelo Palmeiras

A emoção deu o tom ao 3º Tempo da madrugada de quinta, dia 12 de julho de 2012, pela Rádio Bandeirantes. Mauro Beting deu vida e voz à conquista de seu Palmeiras em crônicas da maior qualidade. Nos players abaixo, acompanhe alguns dos momentos do pós-jogo da final da Copa do Brasil.

Homenagem da Rádio Bandeirantes e crônica de Mauro Beting:
(se o player não aparecer, clique aqui)

Mais uma crônica ao Palmeiras, por Mauro Beting:
(se o player não estiver visível ou quiser baixar o áudio, clique aqui)

São Marcos e o Hino do Palmeiras:
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Ao clicar no banner abaixo, tenha acesso a "peças raras" palmeirenses e relembre de grandes glórias conquistadas ao longo da existência do clube:

terça-feira, julho 10, 2012

O curioso jornalista Marcelo Duarte a 92 por Hora, pela SulAmérica Trânsito

Marcelo Duarte:
lançando nova edição do
Guia dos Curiosos Olimpíadas

Daniele Gandolfi ultrapassa os limites
toda segunda no 92 por Hora
Foto: Andre Rizzatto
Marcelo Duarte foi entrevistado no talk show que vai ao ar às segundas-feiras, 21 h. Na entrevista, o comunicador conta como nasceu a ideia da série Guia dos Curiosos e também relembra o momento em que Marcelo Parada o convidou para criar o "Você é Curioso?", que apresenta ao lado de Silvânia Alves há mais de 10 anos na Rádio Bandeirantes.

Ouça o bate-papo no player abaixo:



(se o player não estiver visível ou quiser baixar esse áudio, clique aqui)

Sobre o programa
Apresentado pela jornalista Daniele Gandolfi, o programa semanal é transmitido ao vivo, das 21h às 22h, e recebe dois convidados por edição.
Os ouvintes podem participar do programa enviando sugestões e perguntas para o e-mail radiosulamericatransito@band.com.br ou por SMS para o número 72262 com a palavra RUA.

segunda-feira, julho 09, 2012

Rádio Record: a voz da Revolução Constitucionalista de 32

Este post foi publicado originalmente em 2009. Devido aos 80 anos do evento, vale ler e ouvir de novo.

Em 11 de junho de 1931 entrou no ar a emissora que pouco tempo depois ficaria conhecida como a voz da revolução constitucionalista: a Rádio Record. Paulo Machado de Carvalho recebeu a proposta de Alvaro Liberato de Macedo, dono da casa de discos e da Rádio Record, para que adquirisse o até então pouco explorado veículo de comunicação. À época viviamos ainda o período das rádios clubes e sociedades, mantidas com as mensalidades dos associados, já que a propaganda não era permitida. Em São Paulo, havia apenas a pioneira Educadora Paulista.


Ouça o programa de hoje na íntegra.(se o player não estiver visível, clique aqui)


Painel alusivo ao Movimento Constitucionalista,
nas dependências da Rádio Record.


Na revolução constitucionalista de 32, quando São Paulo se insurgiu contra o regime ditatorial de Vargas, a Record ganhou importância em todo o Brasil. O jovem César Ladeira, que havia chegado a pouco de Campinas, torna-se a principal voz daquele movimento armado que visava a derrubada de Getúlio Vargas. Tudo começou ainda em 31...

Por essa época, Ladeira, até então um jornalista do Correio da Tarde, experimenta a voz na Record. No dia seguinte, escreve o artigo "Se eu fosse speaker":

"Se eu fosse 'speaker' de alguma estação transmissora, chegaria junto ao microfone com a maior sem-cerimônia deste mundo, e diria simplesmente: Meus amigos... o 'speaker' não se deve limitar a repetir como uma maquina o que está no papel. Precisa ser um amigo das pessoas que o estão ouvindo. A sua saudação deve causar prazer, deve ser espontânea, de casa, que entra sem bater na porta, sem pedir licença, familiar, amiga:
-Olá, bom dia, como vai?
Conversar com o grande público invisível - eis o lema do 'speaker' de colarinho mole. 'Speaker' moderno. Da época. "

Em 1932, César Ladeira é a voz qu enão guarda distância do ouvinte e comanda a popularidade da emissora paulista. Reconhecido como o amigo de toda a gente, ele é o apresentador do primeiro programa de variedades do rádio paulistano

Quando as manifestações ganham força em 23 de maio de 32, a Rádio Record empresta seus microfones para a leitura de um manifesto do movimento estudantil. Naquela mesma noite, choques entre os manifestantes e os membros da Legião Revolucionária resultaram na morte dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. O trágico desfecho se deu bem em frente à sede da Record, à Praça da República, 17. Do acontecimento surgiu a sigla MMDC, que passou a ser a bandeira do movimento.

No dia 9 de julho daquele ano de 1932, a revolução, que já vinha sendo articulada desde abril de 1931, teve início. A Record passa a levar ao ar mensagens patrióticas que representavam São Paulo contra o regime Getulista. Essas mensagens geralmente eram textos do poeta paulista Guilherme de Almeida.

Desde os primeiros instantes, a Record lidera a revolução. Em frente à sede da emissora, um alto-falante transmite os discursos inflamados de César Ladeira, Nicolau Tuma, Renato Macedo e Licínio Neves. O povo se reunia para ouvir os textos inflamados transmitidos por eles.

Em 11 de setembro, a Folha da Noite escreve:
"A Record está sonorizando a Revolução Constitucionalista. Não lhe basta fazer estremecer o microfone com a voz de César Ladeiar, o mestre sala da oratória bonita, que põe arrepios, às vezes, na gente. Não lhe basta. Sua ação se alonga. Dá um instrumental gostoso aos seus artistas. E os põe, ciganos fardados, nos palcos das cidades que as granadas atingem e a que se atiram os soldados que querem limpar seu suor e pensar suas feridas. E os põe nos coretos dos jardins, inchando hinos, incitando a marcha dos capacetes de aço".

A emissora que representava o governo na então capital federal, a Rádio Philips do Brasil, tenta quebrar a resistência paulista contrapondo seus discursos e anunciando que os rebeldes paulistas estavam recuando.

A voz da revolução, como passa a ser chamada a Record, repercute nas madrugadas cariocas em réplicas aos insultos da Philips e em boletins mimeografados espalhados por toda a capital federal com o teor da irradiação do dia anterior.

Ouça outra voz da revolução, o saudoso Nicolau Tuma, que em entrevista a Geraldo Nunes deu sua versão dos fatos no programa São Paulo de Todos os Tempos, da Rádio Eldorado...

A derrota e a rendição dos rebeldes constitucionalistas põem fim à guerra civil. O papel desempenhado pela Record, que logo foi acompanhada pelas outras emissoras paulistas: Cruzeiro do Sul e Educadora, confirma e potencializa o rádio como importante meio de comunicação de massa.

O jornalista Franklin Martins, antes de assumir o papel de homem forte da comunicação de Lula, em seu blog, afirma sobre a Revolução de 32: "Pelo menos até 1934, quando foram realizadas eleições para a Assembléia Constituinte e foi votada a nova Constituição, Vargas exerceu o poder de forma inteiramente discricionária – e somente rendeu-se à necessidade de consultar as urnas depois de o Brasil ter passado por uma curta guerra civil, com a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932. O movimento desencadeado por São Paulo, embora derrotado militarmente, acabou inviabilizando em termos políticos a pretensão de Vargas de comandar sozinho o país desde o Palácio do Catete."

Para terminar, sugiro a audição da versão de Guerreiros Paulistas para "Paris Belfort", tema usado como marcha do movimento paulista nos discursos levados ao ar pela antiga Record.

Acompanhe outras edições do Bermuda Folgada, série de programas que foi ao ar pela Rádio Malaveia.



domingo, julho 08, 2012

Interferência e as marcas de pioneirismo de Ary Silva

Acervo Gazeta da Zona Norte

Às vésperas dos Jogos Olímpicos em Londres, Interferência coloca a Bola ao Ar e dá voz a uma Crônica à Torcida Amiga, marca registrada do saudoso Ary Silva.

Ouça no player abaixo o quadro, que traz a trajetória do profissional e a reconstituição de um trecho do Bola ao Ar, o primeiro programa esportivo da Rádio Bandeirantes.


(se o player não estiver visível ou quiser baixar este áudio, clique aqui)

Em 21 de junho de 1917 nasce Ary Silva, um jornalista responsável por grandes feitos para a crônica e para o esporte brasileiros. Antes de ficar conhecido pelas tradicionais Crônicas à Torcida Amiga, Ary teve uma trajetória repleta de pioneirismos.

Em 1936, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, toma conhecimento de que a Philips recruta vendedores de rádio. Tenta, mas não obtém êxito na empreitada. No entanto, por sugestão do gerente de vendas, Nelson de Lorenzi, atleta do salto de vara, busca a sorte como repórter esportivo. Diante do Prof. Roberto Haddock Lobo, então chefe de esportes do Diário de São Paulo, antigo órgão dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, consegue a primeira oportunidade. Com apenas 19 anos, é efetivado como repórter esportivo, em 1º de outubro de 1936, com um salário de 200 mil réis, um bom montante, equivalente a mais de 70.000 reais nos dias de hoje.

Dá novos saltos na crônica esportiva com conquistas importantes. Ainda em 36, participa da cobertura dos jogos olímpicos de Berlim e dos primeiros jogos abertos do interior. Em 37, entra na luta como fundador do Sindicato dos Jornalistas; Em 38, cobre a concentração da seleção brasileira de futebol para a copa do mundo da França. Em 39, a convite de Otávio Gabus Mendes, forma o Departamento de Esportes da Rádio Bandeirantes. É quando dá o pontapé inicial para a trajetória das coberturas da emissora com o Bola ao Ar.

Na mesma época, inova ao criar o primeiro programa esportivo feminino do rádio brasileiro: Eva no Esporte. Ary escreve crônicas como se fosse uma mulher falando de esportes e conta com a leitura e interpretação das radioatrizes da emissora. Uma delas: Maria Estela Barros.

Em 1941, funda a ACEESP – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. Fica na Bandeirantes até 1947. Em 51, torna-se o primeiro comentarista da TV Brasileira, ao lado de Aurélio Campos, na Tupi. Em 58, a convite de Paulo Machado de Carvalho, integra a comissão que elabora o plano para a conquista da nossa primeira copa do mundo, na Suécia. Tinha orgulho de ter participado da fundação do jornal A Gazeta da Zona Norte, em 63, onde manteve uma coluna com o slogan dos tempos da Rádio Bandeirantes: “Torcida Amiga, bom dia”, até abril de 2001, quando morre em São Paulo.



Fotos: acervo A Gazeta da Zona Norte
Colaborações: Camila Alvarenga e Daniel Grecco