domingo, setembro 25, 2016

Como buscar Peças Raras neste blog

Na parte superior desta página, você encontra uma caixa de busca, conforme ilustração abaixo (no celular, é preciso alterar para "visualizar versão para web"):


Se procura por algum programa específico ou tema relacionado ao rádio, nesse espaço digite exatamente o que deseja ouvir. Sua pesquisa terá um melhor resultado se você colocar este assunto entre aspas. Depois, é só dar "enter" e divertir-se.

Boa viagem pelas ondas do rádio.

Fique em sintonia com nossas peças raras também em:










Abaixo, você encontra uma série de episódios do podcast Peças Raras. Divirta-se!

Dia do Rádio: Roquette-Pinto e o rádio como meio de educação


domingo, setembro 18, 2016

18 de setembro e o início da TV no Brasil: há 66 anos, nada é como antes

Em 18 de setembro de 1950, com o Show na Taba, estreia a primeira emissora de TV do Brasil: a TV Tupi, no Sumaré, em São Paulo. 

No próximo dia 27 de setembro de 2016, a Rede Globo estreia uma nova série. "Nada será como antes" tem como pano de fundo a era de outro do rádio e a chegada da televisão ao Brasil. 

Leia mais e veja as primeiras imagens da série divulgadas no GShow.

Saulo (Murilo Benício) e Verônica (Débora Falabela) vivem o casal que sonha com o início da TV no país (Foto: Globo/Estevam Avellar)

Compartilho abaixo um texto escrito por Lima Duarte, que era sonoplasta da Rádio Tupi e foi um dos pioneiros da nossa televisão. Ele conta justamente como foi esse período de transição entre os anos 1940 e 1950. 

AMIGOS, TARDES E PETECAS
(Lima Duarte)

A gente chegou para jogar peteca – Hebe Camargo, Lolita Rodrigues, Walter Forster, Heitor Andrade, Dionísio Azevedo, Ribeiro Filho, Osni Silva e eu. Todos grandes amigos. 

Era de tardezinha e isso aconteceu num tempo em que ainda existiam amigos, tardes e petecas... Um sujeito lá virou para nós e disse: “Não! Não podem mais jogar aqui!” O Osni Silva, que era o mais destemperado, perguntou: “Não pode por quê?” E o homem respondeu: “Porque nós vamos limpar este terreno e amanhã começamos a furar tudo para fazer a televisão.”

Era 1948 e eu trabalhava lá desde 1946. Tudo comprovado e atestado em minha carteira profissional. Eu tinha 16 anos e chegara de Minas Gerais, mais precisamente de Desemboque, em 1946, de maneira que a televisão veio estragar o nosso campo de peteca. Furaram, arrebentaram tudo e construíram a primeira emissora de televisão da América Latina, a TV Tupi Difusora de São Paulo. A segunda foi a TV Cubana, inaugurada no mesmo ano, mas no mês de novembro. A Tupi era de setembro, 18 de setembro mais precisamente. O Walter Forster morreu sustentando que a primeira fora a Cubana e que Havana naquela época era o bordel dos americanos; então, nada mais natural do que a existência de uma TV num bordel. Eu estive em Havana, não a do Fulgêncio (o bordel), mas a do Fidel, um povo íntegro, digno e corajoso, e comprovei que a televisão brasileira é dois meses mais velha.

Tudo isso porque eu considero importante que saibam do contexto em que tudo aconteceu. O contexto era este: amigos, tardes, petecas, e é bom que saibam que eu estive lá desde o começo, ou antes do começo.

Quando a televisão ficou pronta, instalou-se um problema: quem seria o primeiro diretor artístico da América Latina? Existiam três candidatos (eu gosto muito de pensar que televisão seria essa, se um dos outros dois tivesse sido o escolhido): Walter George Durst, Túlio de Lemos e Cassiano Gabus Mendes. Venceu o último, que, uma vez escolhido para ser o diretor, disse: “Eu exijo que o meu assistente seja o Lima Duarte.” Eu gritei: “Opa! Que é isso, está querendo me estrepar? Vou deixar de ser o melhor sonoplasta da Rádio Tupi Difusora para ser diretor de televisão? De jeito nenhum.” Foi então que ele escolheu o Luiz Gallon e, como assistente do Gallon, o Luiz Gustavo, seu cunhado.

É realmente verdadeira aquela história que contam até hoje de que no dia 18 de setembro, depois da inauguração, houve um jantar. Já na sobremesa e antes do cafezinho, o Cassiano perguntou: “Ih... e amanhã o que é que a gente põe no ar?!” Saímos correndo aos consulados para ver quem tinha algum filme para ser exibido na televisão e achamos uma porção: filmes sobre história natural, biologia, Cubismo, os perigos da doença venérea, os males que a sífilis traz e Marshall McLuhan; enfim, uma televisão muito louca.

Um ano depois desse happening, em 1951, o Cassiano teve a idéia de fazer uma telenovela, pois é bom que se diga que a televisão no Brasil foi implantada e sustentada por gente de rádio. Nem jornalistas, nem intelectuais, nem o pessoal do teatro, nem a comunidade universitária, ninguém tomou conhecimento e, nós, os do rádio-teatro, tocamos aquilo. Nada mais natural do que a adaptação de uma novela de rádio para a televisão. Foi quando aconteceu o tão falado fenômeno Sua Vida me Pertence, de Walter Forster, interpretada pelo Walter e pela Vida Alves.

Nessa telenovela apareceu não só o primeiro beijo, mas também o primeiro bandido, o primeiro delegado, o primeiro médico, o primeiro pai, a primeira mãe, o primeiro amor, o primeiro desengano, a primeira esperança, a primeira lágrima, a primeira insídia e o primeiro final feliz, com o tal beijo; enfim, tudo o que existe nas novelas até hoje. O engraçado nesse primeiro beijo é que a autoridade de plantão o proibiu, argumentando: “Não. As televisões entram nos lares e esses lábios unindo-se em lascívia, penetrando o recôndito do lar brasileiro, vão ofender a moral da família.” Bem, era um tempo em que ainda existiam famílias, lábios e lascívia. Os autores disseram: “Não. O beijo é necessário”, e os atores disseram que também queriam beijar. O general insistiu: “Não.” O juiz também disse: “Não.” O bispo fez eco: “Não, não e não. Ainda se fossem americanos, mas são brasileiros beijando-se com bocas brasileiras, isso nunca.” No dia do último capítulo que iria ao ar à oito horas da noite, houve uma reunião na sede da censura para a decisão do beija ou não beija. Só às seis horas saiu o veredicto. “Beija, mas de boca fechada.” Essa foi a melhor história da primeira telenovela ainda não diária. Eu estava lá e era o bandido. 

O mais curioso, e que talvez mereça mesmo uma análise, foi a segunda telenovela. Um êxito enorme! Claro, só havia nós no ar e a novela era rural, já a segunda... Chamava-se Sangue na Terra, de Péricles Leal, ele também um intelectual, paraibano, filho de Simião Leal, jurista, ficcionista, um homem de letras. A novela passava-se na Serra de Borborema e contava a história de Antonio Silvino, o maior cabeça de jagunço que jamais houve, sob o comando de quem o iniciou no cangaço, Virgulino Ferreira, o Lampião.

Se for verdade que o Brasil passou da sociedade rural à sociedade urbana, ou se está passando em apenas cinqüenta anos, não menos verdade é que o brasileiro ficou com um pé na roça, e desse pé na roça surgiram novelas lindas! Entre as dez melhores eu destacaria umas sete de ambientação rural; a primeira em cores, O Bem Amado, na qual eu também estava, pois era o Zeca Diabo; a primeira da “nova República”, Roque Santeiro, em que eu estava também, fazendo Sinhozinho Malta. 

Para concluir, a novela que marcou aquele período inicial foi mesmo O Direito de Nascer, também dirigida por mim. Uma novela rigorosamente genial. Como era novela de rádio cubana, transportada para televisão e para o Brasil, eram necessários muitos acontecimentos. Para falar dela, aproveito Umberto Eco em Viagem na Irrealidade Cotidiana:
“(...) é preciso colocar tudo e para colocar tudo é preciso escolher no repertório do já comprovado. Quando a seleção do já comprovado é limitada, tem-se a série maneirista, o seriadozinho e até mesmo o kitsch, mas, quando do já comprovado se coloca tudo, tem-se uma arquitetura como a da igreja Sagrada Família, de Gaudí. Fica-se com vertigem, esbarra-se na genialidade”.

Depois de O Direito de Nascer, uma pá de cal despencou sobre os barões, filhos naturais, sinhazinhas, babás remanescentes da escravidão, coronéis furibundos. Essa pá de cal chamou-se Beto Rockfeller, de autoria de Bráulio Pedroso, na época editor do suplemento de O Estado de São Paulo, que desenvolveu a novela baseado numa idéia de Cassiano Gabus Mendes para a interpretação de Luiz Gustavo e direção de Lima Duarte. Assim, só me restava mesmo ir para a TV Globo, emissora em que estreara o segundo grande executivo de televisão: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, que contratou a equipe de Beto Rockfeller para fazer na Globo uma revolução, O Bofe, a mais anárquica de todas as telenovelas, escrita pelo mesmo Bráulio Pedroso. Mas revolução não se encomenda, acontece, e a novela acabou não obtendo o sucesso esperado. Eu ainda tinha um mês de contrato a cumprir e fui obrigado a fazer um papel episódico na primeira novela em cores, O Bem-Amado. Iria participar de cinco capítulos apenas, mas o Zeca Diabo não pôde sair – o público obrigou-os a mantê-lo até o fim da trama e matar Odorico Paraguaçu, que inaugurou o cemitério de Scucupira.

Bem, esse foi o começo das telenovelas. Agora se diz que os reality shows ocuparão, na afetividade popular, o lugar das telenovelas. Eu gosto da idéia de que essa nova maneira de contar histórias venha a substituir a antiga. Se for verdade que cada movimento considerado artístico empurra o anterior para o território da arte absoluta, assim como a dança empurrou a música, o teatro empurrou a dança, o cinema empurrou o teatro e o teleteatro empurrou o cinema, que bom se os reality shows nos empurrarem mesmo para o recôndito universo das grandes histórias que contam com grandeza, sabedoria, ternura e beleza a história de um povo e seu destino.

Escrito por Lima Duarte – Prefácio do livro 
“A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil”, de Mauro Alencar.

sábado, setembro 10, 2016

Parapoucos: mídia aberta perde paralimpíadas

Grupo de cegos acompanha sessão do filme Paratodos. Aplicativo Whatscine permite baixar conteúdos acessíveis.

Em 2012, o diretor de cinema Marcelo Mesquita estava em casa e, despretensiosamente, ligou a TV. Amante de esportes, deparou-se com uma cena que jamais esqueceria. O Bolt das Paralimpíadas de Londres Oscar Pistorius fica atrás do brasileiro Allan Fonteles.

Essa imagem mudaria o jeito de ver o mundo do documentarista. Ali nascia a ideia de realizar o incrível filme Paratodos, que acompanha a rotina de alguns dos nossos atletas paralímpicos de alto rendimento. Ao fazer a cobertura de uma sessão no Cine Frei Caneca e ter a oportunidade de acompanhar um debate com Mesquita e a nadadora Susana Ribeiro, com a finalidade de produzir um áudio sobre a distribuição do filme em escolas públicas, também descobri como o Brasil é relevante nessas disputas.

Pois bem. Depois que acompanhamos uma bela cobertura das Olimpíadas tanto na TV aberta quanto no rádio, por meio de grupos como Bandeirantes e Globo, tinha a expectativa de que poderia assistir e ouvir as Paralimpíadas conquista a conquista. Mas se há deficiência nos jogos paralímpicos, ela está só neste quesito: na (falta) de cobertura ao vivo dos eventos na mídia aberta.

Entendo que há avanços, pois pelo menos há uma série de reportagens sobre nossos atletas e também foi fundamental o papel de emissoras como a Bradesco Esportes FM (e demais rádios do Grupo Bandeirantes), CBN e da TV Globo, que tem apresentado séries sobre o tema em vários de seus programas para o sucesso de público nas arenas dos jogos. No entanto, o fato de estarmos batendo recordes e vendo atletas se superar a cada prova em pleno Rio de Janeiro deveria contar com uma cobertura exemplar.

Quem sabe, diante dos resultados de agora, a cobertura em Tóquio, daqui a 4 anos, seja finalmente merecedora de Ouro nas Paralimpíadas.

Paratodos tem sessões em escolas públicas em todo o Brasil.

Meu filho aprendeu a olhar para outros esportes e a admirar exemplos de vida como a da nadadora Susana Schnarndorf Ribeiro

JMendes tem revelado um novo olhar para nossos atletas 

Yohansson do Nascimento é campeão também em simpatia.
Aqui, em foto no Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo


quarta-feira, setembro 07, 2016

Peças Raras na história do rádio no Brasil


A partir de 1919 começa a chamada “Era do Rádio”. O microfone surge através da ampliação dos recursos do bocal do telefone, conseguida por um engenheiro da Westinghouse, em 1920, nos Estados Unidos. 

No Brasil, o rádio não demorou a chegar. A primeira experiência aconteceu em 7 de Setembro de 1922, nas comemorações do centenário da Independência, na então capital federal Rio de Janeiro. “Muito pouca gente se interessou pelas demonstrações”, atesta Roquette Pinto, que, diferentemente da maioria, logo se encantou com a novidade. O desinteresse se deveu à falta de qualidade do som emitido por dois transmissores norte-americanos, especialmente importados para o evento. Apesar das falhas, Roquette Pinto percebeu o potencial do meio de comunicação e, em virtude de seus empenhos pessoais, ficou conhecido como o pai do rádio no Brasil.

Desta data até hoje, muitos capítulos foram escritos nessa história. A seguir, uma série especial que produzi para o site de apoio ao livro "História do Rádio no Brasil", organizado por Magaly Prado. Clique nos links abaixo e ouça os episódios:


Episódio I - Roquette-Pinto: pai do rádio no Brasil
Dois áudios com relatos de Roquette-Pinto explicam como foi a primeira transmissão em 7 de setembro de 22 e de que forma o Brasil passou a ter a primeira emissora de rádio em 23.




Episódio II - Ademar Casé e as 5 estações do ano de 1933
Marcha de carnaval As 5 Estações do Ano, de 1933. Interpretada por Lamartine Babo (autor da música), Almirante, Carmem Miranda e Mário Reis, aborda com bom humor as emissoras Educadora Paulista, Philips, Sociedade do Rio de Janeiro, Club do Brasil e Mayrink Veiga. Permite que se tenha um panorama do rádio no momento em que a publicidade já fazia parte da história de evolução e popularização desse meio de comunicação.




Episódio III - Balança, mas não cai
O programa Balança, mas não cai e o sucesso de Paulo Gracindo e Brandão Filho nos papéis de Primo Rico e Primo Pobre.
 


Episódio IV - Salve, salve as Rainhas do Rádio
O Concurso Rainhas do Rádio e as eleitas.




Episódio V - O DJ de São Paulo
Walter Silva e o Pick-up do Pica Pau




Episódio VI - o início do rádio jovem no Brasil
O Esquema Plenimúsica/Factorama: Depoimento exclusivo de Darcio Arruda sobre a retomada do rádio e a importância das Emissoras Associadas.




Episódio VII – O homem sorriso
Entrevista com Eli Corrêa




Episódio VIII - É hora do Pulo do Gato
Especial sobre o tradicional radiojornalístico da Bandeirantes que acorda São Paulo há quase 4 décadas.



Episódio IX - Cidade, Cidaaaadeeee...
As rádios FM nos anos 80, a partir do padrão criado pelo Sistema JB com a Rádio Cidade.



Episódio X - Notícia em FM?
A CBN entra no ar e traz uma nova fase, a transposição do conteúdo de AM para a FM



Episódio XI - Na Geral, Na Geral
 Entrevista com Zé Paulo de Glória e Lélio Teixeira: a história do Na Geral


Extra: 
Anos 80- Hélio Ribeiro, Frank Sinatra e publicidade no rádio



Esta postagem é uma atualização de conteúdo publicado em 2012, por ocasião dos 90 anos de rádio no Brasil. 

domingo, agosto 14, 2016

Bradesco Esportes FM e as Olimpíadas do Rio

A Bradesco Esportes FM e o Grupo Bandeirantes de Rádio chegam às Olimpíadas em grande forma. 
Acompanhe o início dessa arrancada, com o lançamento da "rádio do seu esporte", em 2012. Na ocasião, ouvimos alguns dos nomes que estão no ar agora pelas emissoras do Morumbi: Sergio PatrickRicardo Capriotti, Álvaro José, Dirceu Marchioli, além do publicitário Washington Olivetto. 

Acompanhe o planejamento inicial dessa caminhada e ouça ainda momentos da cobertura, incluindo uma peça rara protagonizada por Eduardo Barão, que tirou as emissoras do ar, quando o Brasil conquistou a vitória no basquete masculino sobre a Espanha por um ponto de vantagem.