segunda-feira, julho 24, 2017

Como buscar Peças Raras neste blog

Na parte superior desta página, você encontra uma caixa de busca, conforme ilustração abaixo (no celular, é preciso alterar para "versão para web"):


Se procura por algum programa específico ou tema relacionado ao rádio, nesse espaço digite exatamente o que deseja ouvir. Sua pesquisa terá um melhor resultado se você colocar este assunto entre aspas. Depois, é só dar "enter" e divertir-se.

Boa viagem pelas ondas do rádio.

Fique em sintonia com nossas peças raras também em:










Abaixo, você encontra uma série de episódios do podcast Peças Raras. Divirta-se!

Jornal das Profissões - Criatividade no rádio





Em julho de 2009, participei do Jornal das Profissões para falar sobre Criatividade no rádio.


A primeira parte da conversa trata sobretudo do jingle. A propaganda no rádio foi autorizada por Getúlio Vargas em 1932, dez anos após a primeira experiência de transmissão realizada no Brasil. Desde então, o jingle se tornou um estilo marcante e diferenciado de comunicar mensagens e atingir em cheio o público. Da primeira música feita para o Pão Bragança até o então atual Viajante Mastercard, a evolução e as mudanças foram inúmeras. Mas uma coisa permanece e é um forte aliado de quem utiliza este formato em suas campanhas: a aceitação do público pelo fato de dar mais "brilho" à plástica da emissora. Em outras palavras, todo mundo gosta de música, mesmo que esteja em uma rádio de notícias. O jingle desempenha um papel de entretenimento na programação e invariavelmente acaba por ser repetido pelo ouvinte até em situações em que este não tenha nenhuma atração por determinada marca. 

Conversei com a apresentadora Elis Marina também sobre o formato que passou a se destacar nas últimas décadas, dos anos 1980 para cá. Nos spots, caracterizados como comerciais que possuem fala e efeitos sonoros, prevalece o humor. Outra percepção é que algumas das peças criadas inicialmente apenas para o rádio acabaram ganhando uma posterior versão televisiva. Como é o caso de "Louco por Lee", "Rádio Kaiser" (dá pra tomar uma Kaiser antes?) e outras que são lembradas na entrevista. 

quinta-feira, julho 13, 2017

Cultura FM: 40 anos de uma história sonora




Na última terça, dia 11 de julho, a rádio Cultura FM completou 40 anos no ar, com uma incrível transmissão ao vivo da Sala São Paulo. Maestros, músicos, grandes vozes da emissora, repórteres da melhor qualidade deram o tom da festa à altura desta sonora história. 

Neste sábado, dia 15 de julho de 2017, a TV Cultura apresenta uma cobertura especial de tudo o que aconteceu na Sala São Paulo. Acompanhe a chamada no player acima ou neste link

O texto a seguir foi extraído do material distribuído para a comemoração das 4 décadas da Cultura FM: 

A Rádio Cultura FM entrou no ar em 11 de julho de 1977 com um papel definido: colaborar na formação do público. Assim agiu ao longo de 40 anos, em uma jornada única e que contou com o entusiasmo e aplauso da parte do ouvinte. 
Formar o público não queria apenas dizer que a educação do ouvido seria garantida por meio da música clássica, a arte dos grandes mestres, capaz de conquistar a alma de todos com sons acariciantes e muitas vezes hipnotizantes. Tratava-se também de refletir sobre os fundamentos da vida cultural como um todo e de promover o debate, de organizar a documentação musical e sobretudo fazer parte da vida diária dos brasileiros. Dessa forma, não apenas deu relevo à música chamada 'erudita', como também abriu espaço para a música em sua totalidade, como integrante das atividades artísticas diárias da população. 
Das manifestações da música popular brasileira ao jazz e aos sons experimentais, tudo o que a Cultura transmitiu foi pensado para ser consequente e relevante. Foi pensado para alterar a vida das pessoas. Foi o que ela cumpriu. Ela atinge hoje a sua plena maturidade com uma programação sólida e um público fiel que só fez crescer com a amplificação fornecida pela internet e a tecnologia digital. O ouvinte deve se transformar para melhor depois de tomar contato com os meios de comunicação, quando ele divulga conteúdo e informação de relevância. 
O meio também precisa se transformar a si mesmo e surpreender quem o utiliza. Precisa surpreender sem subverter os fundamentos. Foi isso que a rádio Cultura realizou ao inovar em vários aspectos. Ela foi uma das primeiras emissoras brasileiras a transmitir espetáculos ao vivo e, ao mesmo tempo, oferecer análises e esclarecimentos sobre o evento, colocando em perspectiva tudo aquilo que se reveste de atualidade. Em 1983, revolucionou a transmissão de música clássica no rádio colocando pela primeira vez no ar o som digital do compact disc. Foi a primeira a contar com um Guia do Ouvinte, que dava a programação musical completa da emissora e da cidade. Ela também foi pioneira em se fazer presente na internet como emissora digital, e arrebatou ouvintes no mundo inteiro". 

Acesse também o arquivo dos programas da emissora no site: http://culturafm.cmais.com.br/para-ouvir

A cerimônia que celebrou os 40 anos da Cultura FM vai ao ar no programa Clássicos da TV Culrua, neste sábado, dia 15 de julhor, às 21h30. 

Cerca de mil ingressos foram distribuídos para convidados e para o público em geral que, gratuitamente, puderam prestigiar o evento e comemorar com a equipe de produção, apresentadores e equipe técnica da rádio e da TV Cultura, que gravou o concerto para exibir neste especial.

A história da Rádio Cultura FM foi contada por meio de depoimentos em vídeo de boa parte daqueles que foram fundamentais para a construção da emissora, desde sua idealização na casa do ator Sérgio Luiz Viotti até os dias atuais. Com a apresentação do jornalista, roteirista, poeta e locutor Fábio Malavoglia, estes depoimentos foram costurados pela apresentação da Orquestra e por entrevistas feitas em tempo real pelos repórteres Cirley Ribeiro e Gilson Monteiro.

Emoção, competência e experiência foram as marcas do mestre de cerimônias Fabio Malavoglia (Foto: divulgação)

terça-feira, junho 20, 2017

O Pick-up do Picapau é tema de dissertação de mestrado

Quando a 2ª Guerra tem início, Walter contava 6 anos de idade.  O avô Américo Antonio comprara em 1939 um rádio New Condor, na loja Irmãos Assumpção, para ouvir as notícias sobre o conflito. Walter ficava com ele, ouvindo estarrecido as notícias. Sintonizavam a Rádio Nacional de Lisboa, a BBC de Londres – com a emissão em Português -, emissoras francesas e italianas. 

Nesta segunda, dia 26 de junho, às 14h, apresento minha dissertação de mestrado na UNIP Indianópolis, que fica à Rua Dr. Bacelar, 1212 - 4º andar, na Vila Clementino. 

"Walter Silva: o mais popular disc-jóquei de São Paulo em sintonia com a transformação da música brasileira" é a dissertação que vou defender na segunda, dia 26 de junho de 2017. A pesquisa tem como tema o surgimento do “vitrolão” no rádio brasileiro, formato que unia a música de disco à personalidade dos disc-jóqueis, em substituição aos programas musicais ao vivo, com orquestra, que imperavam no rádio brasileiro dos anos 1940 até meados dos anos 1950. Com isso, permite-se perceber a relação entre música e mídia ao longo de pelo menos duas décadas. O estudo inclui a audição de depoimentos deixados por Walter Silva em importantes centros de pesquisa, no caso Centro Cultural São Paulo e Museu da Imagem e do Som (MIS). O objetivo é apresentar a maneira de pensar e produzir para o rádio e a música, pelo ponto de vista de um disc-jóquei que foi de fundamental importância para a difusão da MPB e, em especial, da Bossa Nova. Com isso, pretende-se resgatar a memória do rádio paulistano entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1980, período em que Walter Silva alcançou a liderança de audiência com seu “Pick-up do Picapau”. Como objetivo secundário, serão oferecidos - para estudantes e jovens profissionais de rádio - argumentos que permitam a elaboração de projetos e programas mais consistentes para esse meio de comunicação, a partir do estudo da base da linguagem radiofônica.  
Relembre a entrevista que deu origem a minha dissertação de mestrado (se o player não estiver visível, clique aqui)


Esse trabalho teve como ponto de partida entrevista que realizei com a parceira de vida e profissão de Walter durante 50 anos, Déa Silva, no final de 2011, para o quadro Interferência, da Rádio Bandeirantes. Para produzir a dissertação, tive acesso ao acervo particular da família de Walter Silva e a divisão de multimeios do Centro Cultural São Paulo. O referencial teórico inclui pensadores como Fernando Iazzetta, Paul Zumthor, Marcos Napolitano, Lipovetsky, além de outros pesquisadores e autores de livros ligados à Bossa Nova e ao rádio. Os resultados podem ser conferidos na defesa que acontece na segunda, dia 26, e apontam para o entrelaçamento entre comunicação e memória, ao promover uma escuta atenta da evolução do rádio e da música brasileira.

sexta-feira, junho 16, 2017

Curso para Locutores/narradores com Rosa Matsushita e Deborah Izola



O curso para locutores/narradores acontece de 28 a 30 de julho e é uma realização de Áudio-descrição cursos e eventos. Abaixo, os detalhes:


HORÁRIO:
- sexta (4 horas): das 18 às 22 horas, com Rosa Matsushita;
- sábado (4 horas): das 8 às 12, com Rosa Matsushita;
- sábado (4 horas): das 13 às 17, com Deborah Izola;
- domingo (4 horas): das 12 às 16, com Deborah Izola.

LOCAL: Avenida General Ataliba Leonel, 4075 (próximo ao metrô Tucuruvi – saída ).

O curso para consultores terá 16 horas de aulas teóricas e práticas.
A primeira parte será ministrada por Rosa Matsushita, jornalista e áudio-descritora com experiência na área da tradução visual para cinema, teatro, seminários, shows, missas, livros, museus, exposições, casamentos, entre outros, com o objetivo de introduzir os interessados no mundo da áudio-descrição.
A segunda parte será ministrada por Deborah Izola, jornalista, locutora, mestre de cerimônias e áudio-descritora. Já trabalhou, em diferentes funções no Brasil e no Exterior, nas seguintes empresas de comunicação: A&EMundo Olé, Agência Estado, Alpha FM, Ativo.com, Batanga, Directv, HBO Latin American, Lipsync, Manchete FM, Ômega FM, Planeta Networks, PodCasting Brasil, Sistema Globo de Rádio (Rádios CBN e Excelsior), TV Bandeirantes, USP FM e Warner Channel, entre outras. Atualmente atua como professora de locução, roteirista e locutora comercial.



Aproveite para relembrar a Alpha FM da época de Deborah Izola, em matéria da antiga MTV. Deborah aparece aos 2'30" do vídeo (se o player não estiver visível, clique aqui para assistir)

PRÉ-REQUISITOS FUNDAMENTAIS: Ensino Médio completo; pleno conhecimento da Língua Portuguesa e da nova ortografia; habilidade oral e de leitura de textos.

PROGRAMAÇÃO:
- 8 horas (sexta e sábado): Breve introdução; e diretrizes para a elaboração de roteiros de áudio-descrição em variadas mídias, com Rosa Matsushita.
- 8 horas (sábado e domingo): aula teórica e prática em estúdio, com Deborah Izola.

INVESTIMENTO:
- Curso para locutores/narradores: R$ 500 à vista. Parcelamento com juros feito pelo PagSeguro. (O pagamento deve ser feito no ato da inscrição para reserva de vaga.)

Para obter informações adicionais, envie e-mail para: audiodescritores@yahoo.com.br, com o Assunto: Inscrição para curso de AD – julho/2017. Vagas limitadas!

Serão emitidos e enviados, via e-mail, certificados de participação para os alunos que completarem o curso com, pelo menos, 80% de frequência nas aulas.

Vagas limitadas!

sábado, junho 10, 2017

Jovem Pan - um universo de notícias

Há uma semana, lembrei-me de um material que conheci graças ao meu amigo, comunicador e professor Valdemar Jorge: o LP "Um universo de notícias". Nesse material, produzido para a Semana de Comunicação da ECA-USP, a emissora compartilhava com os alunos o funcionamento da linguagem e do conteúdo daquela Jovem Pan. A memória me veio em função da morte daquele que foi uma das vozes mais tradicionais da rádio, o locutor Franco Neto. 

Confira no player abaixo esse material incrível. 

Originalmente esse conteúdo foi publicado na série de podcasts Peças Raras, em 02 de maio de 2008. 


segunda-feira, maio 29, 2017

Especial: Um desenho dos 70 anos de Daniel Azulay

A origem deste especial, no momento em que o blog Peças Raras completa 11 anos, é o despertar de meu filho Lucas para as artes. Quando mostro aos amigos desenhos ou origamis feitos por ele, alguns se lembram de Daniel Azulay. Essa recordação me fez pesquisar para saber o que um dos meus ídolos da infância e adolescência está fazendo atualmente. 

Ao descobrir que o desenhista e educador está cheio de atividades, eu o entrevistei para fazer um desenho da educação, em que fala sobre a importância de se desenhar a mão livre, mesmo diante de tantos recursos tecnológicos, e o que isso pode acrescentar a formação de uma criança. Esse bate-papo está no NET Educação, do Instituto NET Claro Embratel

O áudio também pode ser baixado aqui
Foto: Paulo Jabour


DanielAzulay é uma espécie de pioneiro dos canais “Maker” que hoje estão presentes no Youtube. Nos anos 1970 e 1980 ele era referência para crianças que queriam aprender técnicas de desenho ou a fazer brinquedos com sucatas, em um programa de TV que passou pela Bandeirantes e Educativa (RTC, à época), com sua Turma do Lambe-Lambe. Mais recentemente também apresentou uma série no Canal Futura (meados dos anos 2000). Hoje mantém seu canal oficial no YouTube.

Mais de quatro décadas depois do início na TV, aos 70 anos de idade (30 de maio de 2017), o desenhista é conhecido por suas escolas no Rio de Janeiro, que oferecem cursos para crianças e jovens. Azulay também tem feito formação para professores em todo o Brasil e oferece aulas beneficentes para instituições. Nesse caso, trata-se do “Crescer com Arte”, que nasceu em 2000, a partir dos inúmeros pedidos de bolsas de estudo que ele recebia em sua escola de desenho. Ouça a entrevista completa ou acesse aqui, caso o player não esteja visível abaixo:





Cotton candy or candyfloss? Algodão doce pra você!
O pai de Daniel Azulay havia sido premiado com uma viagem aos Estados Unidos, em função de ter escrito um livro chamado “Heróis da história norte-americana”. Segundo Daniel,  isto refletiu na educação dele e dos irmãos. Todos passaram por uma escola inglesa. “Meu pai teve a preocupação que antes que a gente estudasse em uma escola brasileira, que a gente tivesse esse contato com uma escola britânica, a British School, no Rio de Janeiro”. Foi nesse período, quando tinha 4 ou 5 anos, que viu um carrinho de algodão doce pela primeira vez. Algo que o marcaria a ponto de virar uma de suas marcas registradas, como apresentador de TV e músico.

Depois da escola inglesa, passou por uma americana. Desde pequeno, lia em inglês. Até hoje lê mais em inglês do que em português, porque há uma literatura especializada que o auxilia. De 12 para 13 anos foi para a escola brasileira.

Daniel: "Eu gostava da escola inglesa e da escola americana porque os livros eram bem ilustrados. Quando eu estava com 8 para 9 anos, o meu pai começou a se preocupar com a minha leitura, porque na adolescência, meu pai lia muito. E ele queria que nós tivéssemos uma leitura escolhida. Por exemplo, a gente podia ler Monteiro Lobato, mas tinha que conhecer Machado de Assis. Eu preferia mais os livros que tinham figura, ilustrações. Monteiro Lobato tinha, mas nem todos tinham. Então, eu colocava um gibizinho dentro do livro. Ele achava que eu estava lendo (o livro), mas eu estava lendo uma revista em quadrinhos mesmo".

Dentro dos livros de ilustres autores, o menino se divertia com as ilustrações do Capitão Marvel, Mickey, Pato Donald e encantava-se com os animais que falam nas histórias. “A literatura tem essa jornada mágica no mundo da imaginação”, aponta.

Quando saiu da escola americana para a brasileira, sentiu falta das ilustrações dos livros escolares de antes. Foi quando começou a ficar em segunda época quase que todo ano e a contar com auxílio de professor particular para não repetir. Na época, com cerca de 12 anos, Daniel desenhava o tempo todo. “Dava o recreio, continuava na sala desenhando. Só parava de desenhar na hora de ir para casa”, revela. Levou muito puxão de orelha e o pai não entendia como é que o menino não ia bem na escola, já que não levava advertência. Na verdade, Daniel ficava quietinho no fundo da sala, como se estivesse escrevendo e tomando nota.

CIRCO LAMBE-LAMBE
Na conversa, o artista conta que desde os 9 anos de idade tinha o sonho de trabalhar no circo. Chegou a improvisar um trapézio na garagem de sua casa, enquanto o irmão se dedicava a mágicas. Na escola, essa aptidão para as artes foi detectada em uma espécie de teste vocacional. À época, Daniel tinha 13 anos e dizia que queria ser jornalista, enquanto a psicóloga que o avaliava dizia que tinha total inclinação para seguir na carreira artística. “Queria ser jornalista, mas aparecia que seria artista de toda forma”, afirma. 


Três momentos da infância: 1. Na cabana de índio pele-vermelha. Daniel ia à escola americana vestido assim. 2. Aos 10 Anos, no trapézio improvisado,  junto às vassouras da garagem da casa da Rua Barão da Torre em Ipanema (1957), que era decorada como "Circo". 3. Aos 13 anos com o primeiro violão (Oscar Castro Neves deu as primeiras aulas ao garoto Azulay (Fotos do acervo pessoal de Daniel)


“CRIANÇA QUE DESENHA NÃO PASSA A INFÂNCIA EM BRANCO”
No Rio de Janeiro, Daniel Azulay mantêm algumas escolas em que multiplica seu método de desenho: o alfabeto visual. Destinadas às crianças, as oficinas respeitam o desenvolvimento natural de cada um, mas, desde os primeiros traços, estimula o uso de caneta hidrocor em vez de lápis. Segundo o desenhista, isto dá mais confiança aos pequenos.

O método também é difundido em ONGs e projetos comunitários, que contam com o Crescer com Arte, projeto que leva o aprendizado gratuitamente, com base em um treinamento audiovisual, nos moldes do que Daniel fazia na TV. “O curso começou por causa da TV, porque os pais pediam curso para indicar para o filho”. Junto com a esposa Beth, veio a ideia da oficinas.

SOPRINHO E SUA TURMA
Outra atividade à qual o desenhista e educador se dedica é o desenvolvimento de cartilhas sobre temas importantes à comunidade escolar. Na entrevista, ele cita, por exemplo, a ação que desenvolveu sobre trânsito envolvendo a criação de “Soprinho e sua turma” (veja o desenho animado aqui). A ideia nesse caso é conscientizar as crianças sobre os riscos que há em se dirigir, após ingerir bebida alcóolica. 

O projeto, criado para divulgar a Lei Seca, estimulas a garotada a fiscalizar os adultos. Daniel também criou cartilhas ilustradas para ações de combate ao crack. Ele lamenta que atualmente as verbas para ações educativas nessa área estejam “congeladas”.

DESENHANDO UMA EDUCAÇÃO MAIS HUMANA
“Sem querer ensinar o padre a dizer missa”, é assim que Daniel se dirige aos colegas educadores. Ele sabe bem que dar aula no Brasil não é algo que valorizado, como deveria. No entanto, isso não deve ser obstáculo nem diminuir a sensibilidade extra que o mestre precisa ter para respeitar a individualidade do aluno. 

Na escola, crianças podem estar em um processo de percepção e descoberta, por exemplo, para a música ou algum dom artístico, como o desenho ou a dobradura. Ele cita John Lennon e Albert Einstein, que teriam sido alunos dificílimos, por não se adaptarem ao padrão que lhes era imposto. O próprio Daniel, por esse prisma, teria sido um aluno disciplinado. Não por falta de competência, mas pelo amor incondicional ao desenho. 

“Quem nasceu pra música, olha para o professor e lembra de música”, defende. Esse aluno não está ausente porque ele quer, mas porque em sua cabeça há um predomínio de outra arte. Daniel vê o adulto como um ser multi-tarefa e, por isso, mais estressado. Já o adolescente está em transformação e o professor tem de ter paciência também neste aspecto: “não é indisciplina nem falta de educação com o professor”. 
Foto: Mário Grisolli