quinta-feira, março 30, 2017

Rádio passa por crise financeira ou de profissionalismo? - por Miriam Ramos

A radialista Miriam Ramos, da USP FM

Caro amigo, será que daqui pra frente o mundo radiofônico ainda irá surpreender com as barbaridades que vem acontecendo no rádio?

A crise global, roubalheira no Brasil virou motivo para tudo. "Não se contrata no rádio por causa da crise". "Arrenda-se rádio para as igrejas, por causa da crise". Ah, falta pouco para se demitir justamente funcionários concursados das emissoras públicas também por causa da crise. Os salários dos radialistas e Jornalistas de rádio sempre foram os mais desvalorizados e mesmo assim as demissões dos nossos amigos de 20 anos de estrada estão acontecendo: Cátia Tofoletto, Cristina Coghi, Benne Corrêa... Só pra falar dos conhecidos nomes de rádio. Substituições desses profissionais tem a ver com política não com a desculpa da crise. Os globais ou artistas que viram funcionário polvo pra atuar com um tentáculo na TV e o outro tentáculo no rádio. Faz parte deste teatro pra gente acreditar que o mercado esta  sendo muito desfalcado pelo "alto salário desses colegas que estão sendo demitidos nas rádios comerciais". 

O que se vê há muito é profissional do ramo sendo trocado por estagiário. Mas e quando os estagiários estiverem formados, vão trabalhar na rádio do Edir Macedo ou RR Soares? Estas rádios arrendadas pra igreja são as únicas que estão em expansão, já notou? O discurso pra inglês ver é que o mercado tá ruim das pernas. Mas, busque as notícias: as rádios internacionais como as italianas, alemãs, portuguesas estão demitindo quem é do ramo pra substituir por famoso? Muita coisa boa que está realizando nas rádios que restam e ninguém sabe,  porque o objetivo é esse mesmo, não divulgar que o rádio é a mídia mais barata para investimento publicitário. Com pouco investimento se consegue fazer muito. 

Mobilização, união pra gente botar a boca no trombone e defender nosso espaço também não existe?Porque os políticos continuam donos de 2,3,4 emissoras nesse Brasilzão? ... Ninguém sabe as regras de concessão e o poder continua nas mãos dos manipuladores que fazem do rádio mais uma indústria do desemprego. Como tudo nesse país, quando radialistas e jornalistas de rádio desacreditarem desse engodo de que o rádio precisa substituir gente do ramo por artistas para aumentar audiência, a coisa começa a melhorar. Vergonhosas as demissões, fechamentos e substituições dos profissionais de rádio em São Paulo, especialmente.

Só mais um aparte: Jovens gostam de rádio sim. Ficam encantados no estúdio, participam e querem mais.

Miriam Ramos - idealizadora do único programa de rádio que recebe escolas e estudantes de 16 anos para tratarem do futuro profissional. Programa Abrace uma Carreira. A âncora apresenta toda quinta, às 13h, uma profissão diferente na rádio USP 93,7.



No vídeo, uma entrevista com Miriam Ramos sobre o programa Abrace uma Carreira, apresentado por ela na Rádio USP

terça-feira, março 28, 2017

Jonas daqui e Salvador dali: entre telas e lonas

Salvador Dali - Santa Creus Festival in Figueras - the Circus - 1921 (extraído do blog Arteeblog)

Em palestra que assisti semana passada na Escola Castanheiras, com o filósofo e professor Clóvis de Barros Filho (veja a cobertura aqui ou baixe o áudio neste link), ouvi essa linda parábola: "O pequeno Salvador é uma criança que está no primeiro ano do Ensino Fundamental. Enquanto a professora ensina a fazer contas, Salvador desenha a professora. Ele desenha como ninguém. No intervalo, as crianças jogam bola e Salvador desenha o jogo. No final de semana, Salvador desenha os parentes almoçando. Salvador desenha o tempo todo. Salvador parece ter natureza de desenhista. Salvador é incrível.

Salvador desenha melhor do que qualquer outra criança daquela idade. Salvador poderá viver em terreno fértil num lugar cheio de lápis e papel, colegas desenhistas, professores de desenho, técnicas novas de desenho, e assim Salvador poderá dia a dia desenhar cada vez melhor, indo atrás da perfeição. A busca da excelência diariamente é condição de uma vida colorida, desafiadora e feliz. A busca da excelência, de tirar de si mesmo o supra-sumo da própria essência. E assim, desenhando, Salvador usou a vida para virar Salvador Dali, desenhista excelente".

Salvador também poderia ter sido plantado em lugar inadequado. Assim como aconteceu com o menino Jonas. Aos 13 anos de idade, convicto de que o circo era o que o encantava, tendo gerações de artistas na família, Jonas é censurado pela professora. Ela afirma categoricamente que Jonas é um caso perdido. Só pensa no circo, faz malabarismos para não ficar na sala de aula e – segundo ela – não percebe que escola não é lugar para brincadeira. Se escola não é lugar para brincadeira, se brincadeira não pode ensinar e Jonas tem que recolher a lona de seus sonhos, escola é lugar de gente triste. No sertão da Bahia, não há salvador para Jonas. Lá até as crianças da idade dele precisam trabalhar e estudar o tempo todo. Não existe lugar para brincadeira. A vida é dura, seca. Um pouco à distância, quem busca fazer este papel de salvador é o tio do menino, dono de um circo que está em outra cidade. Mas a mãe é implacável ao não permitir ao filho que tenha os sonhos e a magia do circo presentes em sua trajetória, apesar dela própria ter crescido no circo e feliz.

O circo da vida é duro com Jonas. Mas o exemplo da própria diretora desse docudrama (um filme que parece ficção e conta fatos reais) pode servir para que o menino tenha a esperança de que, ao crescer mais um pouco, reencontre a infância e viva o circo. A excelência terá sido reencontrada e Jonas terá chance de ser exuberante e feliz novamente.   

O filme “Jonas e o circo sem lona” merece nossa audiência. É uma reflexão importante sobre o rumo prático em que a vida de muitos de nós segue. Mas corra! É um documentário premiado em muitos festivais internacionais. É um documentário brasileiro. Um docudrama. Quase sem tela. 

Precisamos de mais lonas e mais telas daqui e Dali!  

quinta-feira, março 09, 2017

Há 21 anos: Reynaldo Bessa lança CD Outros Sóis em entrevista na Jardim Sul FM

Em 10 de março de 1996, pouco tempo depois de eu ter assistido a um show de Reynaldo Bessa pela primeira vez, tive o privilégio de entrevistá-lo na Jardim Sul FM. Compartilho aqui este momento que me traz grandes recordações. 


Ouça músicas raras do repertório de Bessa. Há 21 anos, o cantor, compositor e violonista estava lançando seu primeiro CD, Outros sóis.

domingo, março 05, 2017

A boa safra da MPB na Musical FM: Reynaldo Bessa em entrevista a Miriam Ramos, há 20 anos

Relembre a entrevista de Reynaldo Bessa a Miriam Ramos, no Boa Safra da Musical FM, há 20 anos: 


(Se o player não estiver visível, clique aqui para ouvir)

Reynaldo Bessa se volta aos palcos na próxima sexta, dia 10 de março de 2017, às 21 h, na Brazileria, que fica na Vila Madalena. Saiba mais aqui:  https://www.facebook.com/events/143859999460033/

Premiado na literatura, Reynaldo Bessa volta aos palcos no show “A poesia não salva, a poesia valsa”
* Apresentação no Brazileria é composta de música e poesia.

Reynaldo Bessa ao lado de Paulo César de Carvalho, parceiros na literatura e na música          
(Foto: Marcelo Abud)

“A poesia não salva, a poesia valsa” é o nome do show que o cantor, compositor, violonista e escritor, Reynaldo Bessa apresenta no próximo dia 10 de março (sexta-feira), às 21h, no Brazileria.

Após um hiato de alguns anos longe dos palcos, por ter ingressado no universo literário, Bessa se volta novamente à música, sem deixar seus escritos de lado. Na bagagem, o artista traz a conquista do Jabuti-2009 por seu “Outros barulhos (Anome livros)”, e menção honrosa no Prêmio Internacional da União Brasileira dos Escritores RJ-2014, com o livro “Cisco no olho da memória” (Penalux).

Em “A poesia não salva, a poesia valsa”, interpreta canções de seus 5 discos lançados, como “De dentro pra Flora” (vencedora de vários festivais), “Lamento Urbano”, que homenageia São Paulo e é sempre solicitada pelos fãs, “Por Amor”, composta em parceria com o saudoso Zé Rodrix e gravada pelo grupo Ira!.

A poesia vai valsar também em textos de autoria de escritores e parceiros, musicados pelo artista. Entre eles, Ademir Assunção, Alice Ruiz, Fabrício Carpinejar, Edson Cruz, Eduardo Lacerda, Frederico Barbosa, Paulo César de Carvalho e Ricardo Corona. Entremeando o repertório musical, em que o cantor será acompanhado por dois violões, haverá a leitura de poemas de alguns livros de Bessa, como também de poetas convidados.



SERVIÇO

Reynaldo Bessa no show “A poesia não salva, a poesia valsa”
Sexta, 10 de março de 2017
21 h.
Brazileria – Rua Clélia, 285
Telefone para informações e reservas: 11 – 26284211
Livros e discos à venda no local.