sábado, dezembro 31, 2016

Temas de fim de ano da Rádio Cidade FM

Em 1985, a Rádio Cidade FM de São Paulo, que era transmitida em 96,9, colocava no ar o tema de fim de ano "Uma só voz", sob o comando da banda Titãs e com convidados de peso do pop e do rock nacional, que estavam no auge há 30 anos. Relembre aqui esse e outra música da emissora que sempre produzia bons e originais temas para o fim de ano. No podcast, publicado originalmente em 2006, você acompanha ainda vinhetas tradicionais da Cidade e a voz de Tavinho Ceschi. 



(se o player não estiver visível, clique aqui para ouvir)

sexta-feira, dezembro 02, 2016

Daniel Dias concorre ao prêmio de melhor atleta do ano

O título de melhor atleta do ano na categoria masculina está concorrido!
Um dos candidatos é Daniel Dias,
maior medalhista masculino da natação em Jogos Paralímpicos!
Sua característica mais marcante é: subir ao pódio!! 😜 No Rio 2016, o nadador pulou na piscina 9 vezes e conquistou 9 medalhas!
Fora da água, Daniel é conhecido pelo sorrisão e por ser um paizão para os fofos Asaph e Danielzinho.
Vai votar nele? Você tem até o dia 7/12, data da festa do #PrêmioParalímpicos2016!
Entre agora no nosso site: http://bit.ly/2gSuvcf




Uma das melhores lembranças que guardo deste 2016, que já está na reta final, é a oportunidade que tive de conversar longamente com o nadador Daniel Dias para o NET Educação
Na casa do atleta, em Bragança Paulista, conversamos sobre o período dele na escola, sobre a alegria que ele tem em motivar crianças à prática da natação e da vitoriosa carreira desse nosso maior medalhista paralímpico.
Assista aos três blocos da entrevista:




Daniel Dias tem 14 medalhas de ouro, sete de prata e três de bronze, em paralímpiadas. 
Ele descobriu a natação quando já estava com 16 anos de idade.
Até 2004, a paixão maior ainda era o futebol, esporte com o qual quebrou várias próteses e preconceitos. Mas foi na água que quebrou recordes e tornou-se o maior medalhista paralímpico do mundo, com 24 medalhas conquistadas em 3 edições de paralimpíadas. 


 

domingo, novembro 27, 2016

Programa Casé - o que a gente não inventa, não existe

Ademar Casé foi pioneiro ao tocar artistas como Carmem Miranda no rádio. Também foi no programa do saudoso avô de Regina Casé que a publicidade teria estreado no sem-fio.

Em 2010, esta história foi contada em um documentário de Estevão Ciavatta. O mais incrível é que o filme está disponível na íntegra no canal da Pindorama Filmes do YouTube.

Aconselho sua audiência atenta para saber como tudo começou em termos de comunicação de massa no Brasil.



Ouça também um episódio produzido para a série Histórias do Rádio no Brasil, em que Ademar Casé é destaque, juntamente com a marchinha carnavalesca "As cinco estações do ano", interpretada por Carmem Miranda, Aurora Miranda, Almirante e Lamartine Babo (autor da música).


(se o player não estiver visível, clique aqui para ter acesso)

Confira a letra de "As cinco estações do ano", que fala sobre a transição do rádio da década de 1920 para o da era comercial (a partir de 1932).:

Antigamente eu banquei estação de águas
Hoje guardo as minhas mágoas num baú de tampo azul
Já fui fraquinha, mas agora já estou forte
Sou ouvida lá no Norte, quando o vento está no Sul
Transmite PRA-C (CCCC) Transmite PRA-C (CCCCCC)

Eu sou a Philips do samba e da fuzarca
Anuncio qualquer marca de trombone ou de café
Chega na hora do apito da sirene, grita logo a Dona Irene
Liga o rádio e vem "Cá... Zé
Transmite PRA-X (XXXX) Transmite PRA-X (XXXXXX)

Sou a Mayrink popular e conhecida
Toda a gente fica louca, sou querida até no hospício
E quando chega sexta-feira, hein! Dona Clara
Sai até tapa na cara, só por causa do Patrício
Transmite PRA-K (KKKK) Transmite PRA-K (KKKKKK)

Sou conhecida aos quatro cantos da cidade
Sou a Rádio Sociedade, fico firme, agüento o tranco
Adoro o clássico, odeio a fuzarqueira
Minha gente fui parteira do Barão do Rio Branco
Transmite PRA-A (AAAA) transmite PRA-A (AAAAAA)

Sou Rádio Clube, eu sou é home minha gente
Francamente sou do esporte, futebol me põe doente (gol!)
No galinheiro, se irradio para o povo,
cada gol que eu anuncio a galinha bota um ovo
Transmite PRA-B (BBBB) Transmite PRA-B (BBBBBB)

segunda-feira, novembro 14, 2016

Veja os indicados ao prêmio APCA 2016 na categoria Rádio

Troféu da APCA, durante a solenidade de entrega em 2015 (foto: divulgação)

O juri de Rádio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), entidade com 60 anos de história, definiu nesta sexta feira os programas e os radialistas que serão indicados para receber o prêmio da categoria, cuja escolha acontecerá em assembleia da associação no próximo dia 30, em São Paulo. Nesta relação estão sendo indicados cerca de 30 artistas e profissionais de comunicação, que concorrerão aos troféus de acordo com sua função, sejam tanto em emissoras de rádio AM e FM, como em produções radiofônicas exclusivamente veiculadas pela internet. 

Segundo os críticos membros do juri, esta lista inédita e os novos critérios de premiação foram adotados no intuito de valorizar ainda mais o trabalho do profissional que se dedica ao meio. Este ano não haverá uma categoria específica para premiar trabalhos na internet. Como o rádio está cada vez mais integrado ao mundo virtual e às novas plataformas de comunicação, não faz mais sentido ter um prêmio que distingua produções semelhantes apenas pelo modo como são transmitidos, veiculados ou até mesmo "consumidos", avaliam os jurados. 

A entrega dos troféus aos premiados pela APCA deverá ocorrer no primeiro semestre de 2017, em São Paulo.

Os indicados ao troféu APCA 2016, categoria Rádio:

Melhor humorista:
Beto Hora - "Na Geral" / 105 FM e Tri FM, de Santos
Bruno Sutter - "Bem Que Se Kiss" / Kiss FM
Emerson França - "Band Bom Dia" / Band FM
Felipe Xavier - "Chuchu Beleza" / Jovem Pan FM
José Simão - "Buemba Buemba" / Band News FM

Melhor apresentador (entretenimento):
Luiz Wilson - "Violas e Repentistas" / Imprensa FM
Paulo Galvão - "Bandeirantes Acontece" e "Rádio Livre" / Rádio Bandeirantes
Paulo Mai - "Jazzmasters" / Portal Alpha FM - (www.alphafm.com.br )
Rubens Palli - "Zy Pool" / Pool FM - (www.poolfm.com.br)
Serafim Costa Almeida - "Banda de Todas as Bandas" / Rádio Capital AM
Valter Ricci - "BR 102" e "Lendas do Rock" / Kiss FM

Melhor produtor (entretenimento):
Carlinhos Oliveira - "Oxydance" / Tropical FM
Cilene Barros - "Unespinha" / Unesp FM - Bauru
Expedito Duarte - "Forró Nativa" / Nativa FM
Mariana Piza - "Maritaca" / Rádio Vozes - (www.radiovozes.com/maritaca)
Sergio Sagitta - "Sons do Brasil" / USP FM
Vitão Bonesso - "Backstage" / Kiss FM

Melhor produtor (jornalístico):
Ana Paula Niederauer - "Estadão no Ar" / Rádio Estadão            
Cleyton Ubinha - "Os Pingos nos Is" / Jovem Pan News
Bruna Barbosa - "Bastidores do Poder" / Rádio Bandeirantes
Fabrício Marques - "Pesquisa Brasil" / Revista Fapesp, em parceria com a Rádio USP
Lara Schulze - "Radioatividade" / Jovem Pan News
Renan Sukevicius - "Em Alta Frequência" / Band News FM

Melhor repórter:
Caio Blinder - "Jornal da Manhã" e "Radioatividade" / Jovem Pan News
Caetano Cury - "Rádio Doc" / Rádio Bandeirantes
Catia Toffoletto - "Jornal da CBN" e "CBN São Paulo" / Rádio CBN
José Maria Trindade - "Jornal da Manhã" e "Morning Show" / Jovem Pan FM
Marcel Naves - "Blitz Estadão" / Rádio Estadão

Melhor comentarista ou colunista:
Cláudio Humberto - "Bastidores do Poder" / Rádio Bandeirantes
Cláudio Zaidan - "Esporte Notícia" e "Esporte Notícia Internacional" / Rádio Bandeirantes
José Nêumanne - "Direto ao Assunto" / Rádio Estadão
Luciano Pires - "Café Brasil" / Portal Café Brasil - (www.portalcafebrasil.com.br/podcasts)
Marco Antonio Villa - "Jornal da Manhã" / Jovem Pan News

Prêmio Especial do Juri:
Bradesco Esportes FM - pela cobertura das Olimpíadas
Rádio Eldorado FM - pela programação do "Dia da MPB"
Rádio Graviola - pelo lançamento de uma coletânea com artistas e bandas de sua programação
Rádio Jovem Pan - pelos 50 anos de exibição do "Jornal da Manhã" *

* Em material da própria Rádio Jovem Pan, há divergência em relação à estreia do Jornal da Manhã. O noticiário teria surgido em 1966, quando a emissora deixara de se chamar Panamericana e já adotava o nome atual. Mas a versão do Jornal da Manhã como está no ar até os dias de hoje, teria entrado no ar na década de 1970.

Saiba mais: 
O blog Rádio Base fez um perfil dos indicados na categoria "humoristas de rádio": http://radiobaseurgente.blogspot.com.br/2016/11/conheca-os-indicados-ao-premio-apca.html 

domingo, outubro 23, 2016

NET Educação, do Instituto NET Claro Embratel, é um dos vencedores do Prêmio Marketing Best Sustentabilidade 2016

Troféu é entregue a nove cases relacionados a causas sociais que incluem educação e refugiados


Parte da equipe que mantém o portal NET Educação na entrega do Prêmio Marketing Best Sustentabilidade. No centro, com o troféu, a vice-presidente de projetos do Instituto NET Claro Embratel, Daniely Gomiero
(crédito: divulgação)

O portal NET Educação foi criado em 2004, sob a gestão da área de Marketing da NET Serviços, já pensando em tornar a educação uma bandeira da empresa. Atualmente integra as ações do Instituto NET Claro Embratel e tem o objetivo de ofertar de forma totalmente gratuita um site que aprimore a capacitação de professores. Em 2008, passa a ser um projeto da área de Responsabilidade Social da empresa. Já em 2011, foi inaugurado o canal Multimídia do portal, que atualmente conta com podcasts e vídeos atualizados semanalmente. Ao longo dos anos, o NET Educação tomou corpo e mais colaboradores passaram a fazer parte do portal. Hoje, conta com uma equipe de 25 pessoas entre jornalistas, consultoras pedagógicas, produtores de conteúdo, analistas de redes sociais, professores e colunistas.

O professor de criação e produção em áudio e vídeo da UNIP e da FAAP, Marcelo Abud, faz parte desse time desde 2011. Ele é o responsável pelos podcasts que integram o canal de áudio do portal. Ao longo de quase 5 anos de produções ininterruptas, Abud conversou com nomes ligados à educação como o saudoso Rubem Alves (ouça aqui), que concedeu sua última grande entrevista em vida justamente ao portal. Também passaram pelos microfones do NET Educação nomes de diversas áreas, relatando ações voltadas à cultura ou então relatando como era a escola em seu tempo de criança e juventude. É só dar uma busca no Canal Multimídia do portal para se deparar com depoimentos instigantes como os de Danilo Gentili, Eugênio Bucci, Iberê Thenório, Leandro Karnal, Mario Sergio Cortella, Marcelo Tas, Ignácio de Loyola Brandão, Ziraldo, Pedro Bandeira, Marcelo Duarte, Laurentino Gomes e Eva Furnari, entre uma centena de outras entrevistas. Recentemente o maior medalhista do paradesporto brasileiro Daniel Dias também deu seu depoimento emocionado e divertido sobre o período escolar (acompanhe aqui o vídeo com a entrevista de Daniel Dias).


Marcelo Abud e alguns dos entrevistados que podem ser ouvidos nos podcasts do portal. Da esquerda para direita, de cima para baixo: Rubem Alves, Reynaldo Bessa, Denise Fraga, Danilo Gentili e Leandro Karnal

Em www.neteducacao.com.br, professores e toda comunidade escolar encontram conteúdos como planos de aula, objetos de aprendizagem, jogos, notícias, entrevistas e reportagens. O objetivo do portal é disponibilizar informações e recursos pedagógicos que possam contribuir com o processo de ensino e aprendizagem, além de estimular a troca de conhecimento entre os internautas, aproximando-se da missão de Responsabilidade Social da NET, a de "Conectar Pessoas para um Mundo Melhor".

O número de visitantes do portal tem apresentado crescimento ano a ano. Em 2015, os acessos elevaram 60% e as visualizações 36%, comparando com o ano anterior. E já é possível perceber que o ano de 2016 vem na mesma toada. No primeiro semestre, houve aumento de 37% e 27%, com relação a acessos e visualizações, respectivamente, na comparação com o primeiro semestre de 2015.


Todos os vencedores do prêmio juntos na crença de que "o mundo é para ser melhor" 
(crédito: divulgação)

Outras referências em educação e promoção social

Organizado pela MadiaMundoMarketing e Editora Referência, a 15ª edição do Marketing Best Sustentabilidade premiou outros 8 cases. A AACD ganhou com o projeto "Crise no Brasil e o impacto no terceiro setor"; a Apae/SP com "Defendendo direitos e enfrentando a violência- campanha sobre os maus-tratos"; a Associação Viva e Deixe Viver com o case "18 anos- mais de 1 milhão de histórias"; a ESPM com "Educação e empreendedorismo transformando a sociedade"; o Instituto Remo Meu Rumo com "Remar é muito mais que um esporte"; a JBS-Friboi foi distinguida com os cases "Chefs Especiais" e "Confiança do início ao fim"; e a Plano Digital com "Estou refugiado".

O júri foi presidido por Décio Clemente (presidente da DClemente &Associados e comentarista de marketing da Rádio Jovem Pan) e teve a participação de Francisco Alberto Madia de Souza (presidente da MadiaMundoMarketing e da Abramark - Academia Brasileira de Marketing), e Míltin Mira de Assumpção Filho (presidente da M.Books e membro da Abramark). A premiação reflete a importância que a sustentabilidade passou a ter na estrutura das empresas, não apenas como um instrumento de branding, mas como apelo de relacionamento às áreas de influência de uma marca, produto ou serviço.

A Festa para a entrega dos troféus aconteceu no dia 18 de outubro, no Auditório Philip Kotler, da ESPM, em São Paulo.

sexta-feira, outubro 14, 2016

Psiquiatra, radialista e escritor Flávio Gikovate morre de câncer aos 73 anos de idade

Gikovate, em entrevista ao NET Educação, nos bastidores do seu "Divã",
na livraria Cultura do Conjunto Nacional, em agosto de 2013
Fiquei sabendo apenas agora pela manhã. Perdemos um dos grandes comunicadores ontem à noite. Gikovate estava internado no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo, para tratar de um câncer descoberto em março. 

Em 2007 fui apresentado ao programa No Divã do Gikovate, que o psiquiatra comandava na Rádio CBN, pelo meu amigo jornalista Daniel Grecco. Passamos a ir constantemente à plateia do programa, que era gravado às terças no auditório da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. 

Ouça dois momentos em que acompanhamos de perto as palavras de Gikovate:

- Aqui um áudio que produzi para o NET Educação, sobre como o comportamento dos pais pode influenciar filhos adolescentes: http://neteducacao.com.br/multimidia/audios/dossie-bebida-e-adolescencia
(você pode baixar o episódio aqui)

- Acompanhe uma edição especial que fizemos no podcast Bermuda Folgada, em 2010: 

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(se o player não abrir, acesse o áudio neste link)

No site da CBN, uma entrevista de abril, quando o psiquiatra falou sobre o câncer que o acometia. 


domingo, setembro 18, 2016

18 de setembro e o início da TV no Brasil: há 66 anos, nada é como antes

Em 18 de setembro de 1950, com o Show na Taba, estreia a primeira emissora de TV do Brasil: a TV Tupi, no Sumaré, em São Paulo. 

No próximo dia 27 de setembro de 2016, a Rede Globo estreia uma nova série. "Nada será como antes" tem como pano de fundo a era de outro do rádio e a chegada da televisão ao Brasil. 

Leia mais e veja as primeiras imagens da série divulgadas no GShow.

Saulo (Murilo Benício) e Verônica (Débora Falabela) vivem o casal que sonha com o início da TV no país (Foto: Globo/Estevam Avellar)

Compartilho abaixo um texto escrito por Lima Duarte, que era sonoplasta da Rádio Tupi e foi um dos pioneiros da nossa televisão. Ele conta justamente como foi esse período de transição entre os anos 1940 e 1950. 

AMIGOS, TARDES E PETECAS
(Lima Duarte)

A gente chegou para jogar peteca – Hebe Camargo, Lolita Rodrigues, Walter Forster, Heitor Andrade, Dionísio Azevedo, Ribeiro Filho, Osni Silva e eu. Todos grandes amigos. 

Era de tardezinha e isso aconteceu num tempo em que ainda existiam amigos, tardes e petecas... Um sujeito lá virou para nós e disse: “Não! Não podem mais jogar aqui!” O Osni Silva, que era o mais destemperado, perguntou: “Não pode por quê?” E o homem respondeu: “Porque nós vamos limpar este terreno e amanhã começamos a furar tudo para fazer a televisão.”

Era 1948 e eu trabalhava lá desde 1946. Tudo comprovado e atestado em minha carteira profissional. Eu tinha 16 anos e chegara de Minas Gerais, mais precisamente de Desemboque, em 1946, de maneira que a televisão veio estragar o nosso campo de peteca. Furaram, arrebentaram tudo e construíram a primeira emissora de televisão da América Latina, a TV Tupi Difusora de São Paulo. A segunda foi a TV Cubana, inaugurada no mesmo ano, mas no mês de novembro. A Tupi era de setembro, 18 de setembro mais precisamente. O Walter Forster morreu sustentando que a primeira fora a Cubana e que Havana naquela época era o bordel dos americanos; então, nada mais natural do que a existência de uma TV num bordel. Eu estive em Havana, não a do Fulgêncio (o bordel), mas a do Fidel, um povo íntegro, digno e corajoso, e comprovei que a televisão brasileira é dois meses mais velha.

Tudo isso porque eu considero importante que saibam do contexto em que tudo aconteceu. O contexto era este: amigos, tardes, petecas, e é bom que saibam que eu estive lá desde o começo, ou antes do começo.

Quando a televisão ficou pronta, instalou-se um problema: quem seria o primeiro diretor artístico da América Latina? Existiam três candidatos (eu gosto muito de pensar que televisão seria essa, se um dos outros dois tivesse sido o escolhido): Walter George Durst, Túlio de Lemos e Cassiano Gabus Mendes. Venceu o último, que, uma vez escolhido para ser o diretor, disse: “Eu exijo que o meu assistente seja o Lima Duarte.” Eu gritei: “Opa! Que é isso, está querendo me estrepar? Vou deixar de ser o melhor sonoplasta da Rádio Tupi Difusora para ser diretor de televisão? De jeito nenhum.” Foi então que ele escolheu o Luiz Gallon e, como assistente do Gallon, o Luiz Gustavo, seu cunhado.

É realmente verdadeira aquela história que contam até hoje de que no dia 18 de setembro, depois da inauguração, houve um jantar. Já na sobremesa e antes do cafezinho, o Cassiano perguntou: “Ih... e amanhã o que é que a gente põe no ar?!” Saímos correndo aos consulados para ver quem tinha algum filme para ser exibido na televisão e achamos uma porção: filmes sobre história natural, biologia, Cubismo, os perigos da doença venérea, os males que a sífilis traz e Marshall McLuhan; enfim, uma televisão muito louca.

Um ano depois desse happening, em 1951, o Cassiano teve a idéia de fazer uma telenovela, pois é bom que se diga que a televisão no Brasil foi implantada e sustentada por gente de rádio. Nem jornalistas, nem intelectuais, nem o pessoal do teatro, nem a comunidade universitária, ninguém tomou conhecimento e, nós, os do rádio-teatro, tocamos aquilo. Nada mais natural do que a adaptação de uma novela de rádio para a televisão. Foi quando aconteceu o tão falado fenômeno Sua Vida me Pertence, de Walter Forster, interpretada pelo Walter e pela Vida Alves.

Nessa telenovela apareceu não só o primeiro beijo, mas também o primeiro bandido, o primeiro delegado, o primeiro médico, o primeiro pai, a primeira mãe, o primeiro amor, o primeiro desengano, a primeira esperança, a primeira lágrima, a primeira insídia e o primeiro final feliz, com o tal beijo; enfim, tudo o que existe nas novelas até hoje. O engraçado nesse primeiro beijo é que a autoridade de plantão o proibiu, argumentando: “Não. As televisões entram nos lares e esses lábios unindo-se em lascívia, penetrando o recôndito do lar brasileiro, vão ofender a moral da família.” Bem, era um tempo em que ainda existiam famílias, lábios e lascívia. Os autores disseram: “Não. O beijo é necessário”, e os atores disseram que também queriam beijar. O general insistiu: “Não.” O juiz também disse: “Não.” O bispo fez eco: “Não, não e não. Ainda se fossem americanos, mas são brasileiros beijando-se com bocas brasileiras, isso nunca.” No dia do último capítulo que iria ao ar à oito horas da noite, houve uma reunião na sede da censura para a decisão do beija ou não beija. Só às seis horas saiu o veredicto. “Beija, mas de boca fechada.” Essa foi a melhor história da primeira telenovela ainda não diária. Eu estava lá e era o bandido. 

O mais curioso, e que talvez mereça mesmo uma análise, foi a segunda telenovela. Um êxito enorme! Claro, só havia nós no ar e a novela era rural, já a segunda... Chamava-se Sangue na Terra, de Péricles Leal, ele também um intelectual, paraibano, filho de Simião Leal, jurista, ficcionista, um homem de letras. A novela passava-se na Serra de Borborema e contava a história de Antonio Silvino, o maior cabeça de jagunço que jamais houve, sob o comando de quem o iniciou no cangaço, Virgulino Ferreira, o Lampião.

Se for verdade que o Brasil passou da sociedade rural à sociedade urbana, ou se está passando em apenas cinqüenta anos, não menos verdade é que o brasileiro ficou com um pé na roça, e desse pé na roça surgiram novelas lindas! Entre as dez melhores eu destacaria umas sete de ambientação rural; a primeira em cores, O Bem Amado, na qual eu também estava, pois era o Zeca Diabo; a primeira da “nova República”, Roque Santeiro, em que eu estava também, fazendo Sinhozinho Malta. 

Para concluir, a novela que marcou aquele período inicial foi mesmo O Direito de Nascer, também dirigida por mim. Uma novela rigorosamente genial. Como era novela de rádio cubana, transportada para televisão e para o Brasil, eram necessários muitos acontecimentos. Para falar dela, aproveito Umberto Eco em Viagem na Irrealidade Cotidiana:
“(...) é preciso colocar tudo e para colocar tudo é preciso escolher no repertório do já comprovado. Quando a seleção do já comprovado é limitada, tem-se a série maneirista, o seriadozinho e até mesmo o kitsch, mas, quando do já comprovado se coloca tudo, tem-se uma arquitetura como a da igreja Sagrada Família, de Gaudí. Fica-se com vertigem, esbarra-se na genialidade”.

Depois de O Direito de Nascer, uma pá de cal despencou sobre os barões, filhos naturais, sinhazinhas, babás remanescentes da escravidão, coronéis furibundos. Essa pá de cal chamou-se Beto Rockfeller, de autoria de Bráulio Pedroso, na época editor do suplemento de O Estado de São Paulo, que desenvolveu a novela baseado numa idéia de Cassiano Gabus Mendes para a interpretação de Luiz Gustavo e direção de Lima Duarte. Assim, só me restava mesmo ir para a TV Globo, emissora em que estreara o segundo grande executivo de televisão: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, que contratou a equipe de Beto Rockfeller para fazer na Globo uma revolução, O Bofe, a mais anárquica de todas as telenovelas, escrita pelo mesmo Bráulio Pedroso. Mas revolução não se encomenda, acontece, e a novela acabou não obtendo o sucesso esperado. Eu ainda tinha um mês de contrato a cumprir e fui obrigado a fazer um papel episódico na primeira novela em cores, O Bem-Amado. Iria participar de cinco capítulos apenas, mas o Zeca Diabo não pôde sair – o público obrigou-os a mantê-lo até o fim da trama e matar Odorico Paraguaçu, que inaugurou o cemitério de Scucupira.

Bem, esse foi o começo das telenovelas. Agora se diz que os reality shows ocuparão, na afetividade popular, o lugar das telenovelas. Eu gosto da idéia de que essa nova maneira de contar histórias venha a substituir a antiga. Se for verdade que cada movimento considerado artístico empurra o anterior para o território da arte absoluta, assim como a dança empurrou a música, o teatro empurrou a dança, o cinema empurrou o teatro e o teleteatro empurrou o cinema, que bom se os reality shows nos empurrarem mesmo para o recôndito universo das grandes histórias que contam com grandeza, sabedoria, ternura e beleza a história de um povo e seu destino.

Escrito por Lima Duarte – Prefácio do livro 
“A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil”, de Mauro Alencar.

sábado, setembro 10, 2016

Parapoucos: mídia aberta perde paralimpíadas

Grupo de cegos acompanha sessão do filme Paratodos. Aplicativo Whatscine permite baixar conteúdos acessíveis.

Em 2012, o diretor de cinema Marcelo Mesquita estava em casa e, despretensiosamente, ligou a TV. Amante de esportes, deparou-se com uma cena que jamais esqueceria. O Bolt das Paralimpíadas de Londres Oscar Pistorius fica atrás do brasileiro Allan Fonteles.

Essa imagem mudaria o jeito de ver o mundo do documentarista. Ali nascia a ideia de realizar o incrível filme Paratodos, que acompanha a rotina de alguns dos nossos atletas paralímpicos de alto rendimento. Ao fazer a cobertura de uma sessão no Cine Frei Caneca e ter a oportunidade de acompanhar um debate com Mesquita e a nadadora Susana Ribeiro, com a finalidade de produzir um áudio sobre a distribuição do filme em escolas públicas, também descobri como o Brasil é relevante nessas disputas.

Pois bem. Depois que acompanhamos uma bela cobertura das Olimpíadas tanto na TV aberta quanto no rádio, por meio de grupos como Bandeirantes e Globo, tinha a expectativa de que poderia assistir e ouvir as Paralimpíadas conquista a conquista. Mas se há deficiência nos jogos paralímpicos, ela está só neste quesito: na (falta) de cobertura ao vivo dos eventos na mídia aberta.

Entendo que há avanços, pois pelo menos há uma série de reportagens sobre nossos atletas e também foi fundamental o papel de emissoras como a Bradesco Esportes FM (e demais rádios do Grupo Bandeirantes), CBN e da TV Globo, que tem apresentado séries sobre o tema em vários de seus programas para o sucesso de público nas arenas dos jogos. No entanto, o fato de estarmos batendo recordes e vendo atletas se superar a cada prova em pleno Rio de Janeiro deveria contar com uma cobertura exemplar.

Quem sabe, diante dos resultados de agora, a cobertura em Tóquio, daqui a 4 anos, seja finalmente merecedora de Ouro nas Paralimpíadas.

Paratodos tem sessões em escolas públicas em todo o Brasil.

Meu filho aprendeu a olhar para outros esportes e a admirar exemplos de vida como a da nadadora Susana Schnarndorf Ribeiro

JMendes tem revelado um novo olhar para nossos atletas 

Yohansson do Nascimento é campeão também em simpatia.
Aqui, em foto no Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo


quarta-feira, setembro 07, 2016

Peças Raras na história do rádio no Brasil


A partir de 1919 começa a chamada “Era do Rádio”. O microfone surge através da ampliação dos recursos do bocal do telefone, conseguida por um engenheiro da Westinghouse, em 1920, nos Estados Unidos. 

No Brasil, o rádio não demorou a chegar. A primeira experiência aconteceu em 7 de Setembro de 1922, nas comemorações do centenário da Independência, na então capital federal Rio de Janeiro. “Muito pouca gente se interessou pelas demonstrações”, atesta Roquette Pinto, que, diferentemente da maioria, logo se encantou com a novidade. O desinteresse se deveu à falta de qualidade do som emitido por dois transmissores norte-americanos, especialmente importados para o evento. Apesar das falhas, Roquette Pinto percebeu o potencial do meio de comunicação e, em virtude de seus empenhos pessoais, ficou conhecido como o pai do rádio no Brasil.

Desta data até hoje, muitos capítulos foram escritos nessa história. A seguir, uma série especial que produzi para o site de apoio ao livro "História do Rádio no Brasil", organizado por Magaly Prado. Clique nos links abaixo e ouça os episódios:


Episódio I - Roquette-Pinto: pai do rádio no Brasil
Dois áudios com relatos de Roquette-Pinto explicam como foi a primeira transmissão em 7 de setembro de 22 e de que forma o Brasil passou a ter a primeira emissora de rádio em 23.




Episódio II - Ademar Casé e as 5 estações do ano de 1933
Marcha de carnaval As 5 Estações do Ano, de 1933. Interpretada por Lamartine Babo (autor da música), Almirante, Carmem Miranda e Mário Reis, aborda com bom humor as emissoras Educadora Paulista, Philips, Sociedade do Rio de Janeiro, Club do Brasil e Mayrink Veiga. Permite que se tenha um panorama do rádio no momento em que a publicidade já fazia parte da história de evolução e popularização desse meio de comunicação.




Episódio III - Balança, mas não cai
O programa Balança, mas não cai e o sucesso de Paulo Gracindo e Brandão Filho nos papéis de Primo Rico e Primo Pobre.
 


Episódio IV - Salve, salve as Rainhas do Rádio
O Concurso Rainhas do Rádio e as eleitas.




Episódio V - O DJ de São Paulo
Walter Silva e o Pick-up do Pica Pau




Episódio VI - o início do rádio jovem no Brasil
O Esquema Plenimúsica/Factorama: Depoimento exclusivo de Darcio Arruda sobre a retomada do rádio e a importância das Emissoras Associadas.




Episódio VII – O homem sorriso
Entrevista com Eli Corrêa




Episódio VIII - É hora do Pulo do Gato
Especial sobre o tradicional radiojornalístico da Bandeirantes que acorda São Paulo há quase 4 décadas.



Episódio IX - Cidade, Cidaaaadeeee...
As rádios FM nos anos 80, a partir do padrão criado pelo Sistema JB com a Rádio Cidade.



Episódio X - Notícia em FM?
A CBN entra no ar e traz uma nova fase, a transposição do conteúdo de AM para a FM



Episódio XI - Na Geral, Na Geral
 Entrevista com Zé Paulo de Glória e Lélio Teixeira: a história do Na Geral


Extra: 
Anos 80- Hélio Ribeiro, Frank Sinatra e publicidade no rádio



Esta postagem é uma atualização de conteúdo publicado em 2012, por ocasião dos 90 anos de rádio no Brasil. 

domingo, agosto 14, 2016

Bradesco Esportes FM e as Olimpíadas do Rio

A Bradesco Esportes FM e o Grupo Bandeirantes de Rádio chegam às Olimpíadas em grande forma. 
Acompanhe o início dessa arrancada, com o lançamento da "rádio do seu esporte", em 2012. Na ocasião, ouvimos alguns dos nomes que estão no ar agora pelas emissoras do Morumbi: Sergio PatrickRicardo Capriotti, Álvaro José, Dirceu Marchioli, além do publicitário Washington Olivetto. 

Acompanhe o planejamento inicial dessa caminhada e ouça ainda momentos da cobertura, incluindo uma peça rara protagonizada por Eduardo Barão, que tirou as emissoras do ar, quando o Brasil conquistou a vitória no basquete masculino sobre a Espanha por um ponto de vantagem.

quinta-feira, julho 21, 2016

15 anos do "Você é Curioso?" serão comemorados neste sábado no Auditório do MASP


Neste sábado, dia 23 de julho, o programa “Você é Curioso?” comemora 15 anos com uma edição especial. A atração da Rádio Bandeirantes - apresentada por Marcelo Duarte e Silvania Alves - será transmitida ao vivo direto do Auditório do MASP (Avenida Paulista, 1578), das 10h às 12h. A entrada é gratuita. São apenas 300 lugares, portanto o ideal é que você chegue cerca de 40 minutos antes.

Entre as atrações musicais deste ano estão a banda Bek e os Tio de Fusca, que toca sucessos dos anos 80 e 90 e foi revelada recentemente pelo “Você é Curioso?”. A cantora Paula Marchesini, que foi crooner da banda The Soundtrackers, apresentará um trecho do show As Divas do Rock. Acompanhada da Bek e os Tio de Fusca, Paula cantará a canção “Material Girl”, de Madonna, que faz parte do repertório dela e da banda. Para fechar a celebração, 15 casais de ouvintes serão convidados a subir ao palco para o baile de debutantes que terá a participação de Moacyr Franco.


A edição especial de 15 anos do “Você é Curioso?” também será transmitida ao vivo pelo Facebook da Rádio Bandeirantes.


Saiba mais sobre a Rádio Bandeirantes em www.radiobandeirantes.com.br e siga a emissora nas redes sociais: https://twitter.com/RBandeirantes e https://www.facebook.com/radiobandeirantes

domingo, julho 10, 2016

Rádio Comercial de Portugal e a retransmissão do 2º tempo da prorrogação da final da Eurocopa 2016

logotipo da Rádio Comercial AM, de Portugal
Um mês antes da final da Eurocopa entre França e Portugal, a Rádio lusitana Comercial criou uma música motivacional para sua seleção, na qual profetizava "Agora é a nossa vez!". Veja o clip:





Neste dia 10 de julho de 2016 realmente foi a vez de Portugal levantar a taça da Eurocopa. Ouça a vibração dos "narratorcedores" Nuno Matos e Alexandre Afonso, devidamente identificados pelo amigo radialista Marcus Aurélio, da EBC, que completa: "Nuno é o que manda os críticos se calarem. Alexandre é o que comemora com expressões em francês". O áudio é da Rádio Antena Um - integrante da RTP e aqui pode ser ouvido na retransmissão da Rádio Comercial, com um detalhe interessante: o "comercial" de uma funerária logo após vivermos a intensidade da festa na narração.   



Há quem diga que nossos locutores esportivos são exagerados, mas ao ter acesso a narrações de várias partes do mundo nas ondas "webhertzianas" (como bem definiu o jornalista Daniel Grecco), percebemos que por aqui até que a emoção é bem contida. 

quinta-feira, julho 07, 2016

Ignácio de Loyola Brandão - o menino que vendia palavras

Ignácio de Loyola Brandão foi anunciado nesta quinta, dia 7 de julho de 2016, vencedor do Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra. A premiação é concedida pela Academia Brasileira de Letras.  

O escritor está em cartaz às terças-feiras, no Teatro Eva Herz, em São Paulo, ao lado da filha e cantora Rita Gullo com um espetáculo que mistura histórias da vida dele com músicas interpretadas por ela. 

No dia 31 deste mês, Ignácio completa 80 anos. 

Abaixo, compartilho novamente um dos grandes momentos do podcast NET Educação, que produzo desde 2012.



Acompanhe nos links dois trechos da entrevista com o cronista, escritor e jornalista. A conversa se deu em uma aprazível tarde, na casa do eterno "menino que vendia palavras".

- Livro Aberto: O Mel de Ocara

- Capítulo Extra: O menino que vendia palavras 
Na foto ao lado, Ignácio de Loyola abraça imagem dele com o pai, o incentivador da leitura no menino.







terça-feira, junho 28, 2016

Manual do Mundo inteligente na web

Manual do Mundo: mais de 6 milhões de seguidores no YouTube

Está no ar mais um áudio produzido por mim para o NET Educação. Clique aqui e confira uma edição especial com Iberê Thenório e Pirula
(se estiver acessando pelo celular, você precisa fazer o download - abaixo da faixa de streaming - para conseguir ouvir)

O que há em comum entre ciência e mundo pop? E de antagônico ou completar entre ciência, religião e evolucionismo? Como funcionam as coisas? Canais que se propõem a responder perguntas curiosas com experiências científicas ou gerar novas perguntas a partir do debate dos fatos cotidianos conquistam milhões de adeptos na web. Uma imensidão de jovens têm buscado cada vez mais conteúdos e formas inteligentes no ciberespaço.

Responder a dilemas como “por que comendo salada você emagrece, mas uma vaca engorda comendo só capim?” levou Iberê Thenório a ser reconhecido entre as 10 personalidades mais influentes entre jovens de 14 a 17 anos, das classes A, B e C, de acordo com levantamento da revista Meio & Mensagem. O jornalista apresenta experiências, receitas, desafios, pegadinhas e mágicas. Para dar conta de todo esse conteúdo de forma criativa abriu em 2008, com a esposa - a terapeuta ocupacional Mariana Fulfaro -, a Manual do Mundo Comunicação, produtora especializada em entretenimento educativo.




Outra fórmula que deu certo no YouTube é a do Canal do Pirulla, nome do personagem criado por um biólogo brasileiro que virou vlogger (denominação pela qual eram conhecidos os pioneiros produtores de vídeo da internet), ainda em 2009. Com vídeos que trazem discursos que raramente têm menos de 30 minutos, gravados em geral na intimidade de seu próprio quarto, Pirulla usa a polêmica como arma para despertar o conhecimento. A motivação para intensificar a produção dos vídeos veio de uma entrevista, no Programa do Jô, em que um climatologista afirmava que o efeito estufa era uma farsa. Indignado, Pirulla colheu vários depoimentos de especialistas no assunto e acabou produzindo um documentário. Esse vídeo garantiu a conquista do troféu Shorty Awards, o “Oscar” das mídias sociais, na categoria Educação, em 2014. 

Lucas assiste ao Manual do Mundo na TV