segunda-feira, abril 03, 2017

Idade Mídia: Excesso de luz cega tanto quanto a falta dela, por Alexandre Sayad




Em 2012, o jornalista e educador Alexandre Sayad (foto) publicou o livro de crônicas “Idade Mídia – A comunicação reinventada na escola”. A obra trazia as experiências realizadas numa escola paulista, com projetos  de comunicação. O conteúdo ganha agora a versão em e-book, que será lançado este ano. Ao revelar a metodologia do trabalho, o autor espera que a obra sirva de inspiração para outras escolas.

Idade Mídia foi idealizado por Sayad, juntamente com o jornalista Gilberto Dimenstein. Em cada projeto de Comunicação, descrito e acompanhado dos depoimentos dos participantes, são os próprios alunos que apontaram o tema a ser discutido e valorizado. A partir daí construíram projetos de comunicação utilizando várias mídias.

No áudio, o entrevistado aponta as transformações que as tecnologias digitais proporcionam: além de ampliar o acesso à informação, elas são um meio de criação e expressão para os alunos. Sayad ressalta que o uso da Comunicação para educar não é exclusividade de escolas com recursos e investimentos em alta tecnologia. Um exemplo citado por ele é o jornal mural. “Se você faz um jornal mural divertido, com notícias que interessam, feitas pelos jovens para eles mesmos lerem no intervalo, você tem um começo tão simples e eficiente quanto uma rádio”, conclui.


Indagado sobre o papel da escola, num tempo em que o mundo está inundado com tanta informação, ele aponta a função de curadoria da informação. “A escola é fundamental para ajudar alunos a construir filtros, fazer escolhas, analisar fontes,  para que a informação essencial possa ganhar sentido e assim ser tranformada em conhecimento”, nesta era que chamamos de Idade Mídia.

Um comentário:

José Rodrigues Neto disse...

Fala, professor, na paz?
Matéria muito boa e contemporânea.
Em tempos hodiernos, a pós-verdade (ou post-truth pra deixar mais chique!) é a ordem do dia nas escolas.
O ensino, assim como a informação em geral, perdeu a capa da verticalidade e sentou-se à mesa para um papo mais horizontal.
A única certeza que temos é a dúvida e a escola tem o dever de estar antenada ao que acontece e, principalmente, ao que não acontece.
Um professor que repudia a tecnologia ganha um ranso do mundo.
O mundo gira, mas não mais como o relógio, e sim como a ampulheta que aguarda a nova página abrir.
Achar o ponto ideal dessa carne chamada atualidade evita que o ensino fique mal passado ou que deixe o aluno com a mente crua.
É aquela coisa do veneno e remédio serem distintos pela dose, sabe?
Um abraço e pegue leve na prova amanhã, beleza?