domingo, abril 30, 2017

Lição de democracia no Colégio Santa Cruz


Nunca na história deste blog um textão foi tão necessário. Aceitando ao convite do Professor Alcides Villaça nas redes sociais, li as três cartas atribuídas aos corpos docente e discente do Colégio Santa Cruz. Reproduzo aqui o debate de ideias, ao contrário do que veículos que pendem para um ou outro lado têm feito, ao exporem os conteúdos com os respectivos juízos de valores que possuem. Aprendi, há mais de 20 anos, na graduação, que era assim que chegávamos às nossas próprias opiniões, ou seja, lendo versões que se opõem, mas que procuram trazer argumentos que as justifiquem. Boa leitura!

AULA 1 – CARTA ABERTA DAS PROFESSORAS E DOS PROFESSORES DO COLÉGIO SANTA CRUZ
“Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas (...) Porém não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira.”
(Papa Francisco, em carta enviada a Michel Temer, no final de 2016)
“Art. 6º da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.”
(Nota da CNBB sobre a Reforma da Previdência)
"Desde o início, o Colégio sempre manteve uma postura educacional coerente com os princípios humanos e evangélicos, que privilegiam a formação integral da inteligência, do corpo e do coração, uma educação voltada para a liberdade responsável e para o comprometimento social. Essa orientação prevalece no Colégio e na mente dos educadores até os dias atuais, em que pesem todas as transformações ocorridas ao longo desses últimos 64 anos de história.”
(Plano Diretor do Colégio Santa Cruz de 2016, versão impressa e disponível no site do Colégio)

O corpo docente do Colégio Santa Cruz vem publicamente expressar sua posição de repúdio às reformas defendidas pelo Governo. Estamos convictos de que a atropelada e intensa mobilização do Congresso Nacional — com objetivo de modificar radicalmente os parâmetros constitucionais que regem o sistema de Seguridade Social e a Legislação Trabalhista, utilizando manobras de urgência para esquivar-se da necessária e ampla discussão democrática — acarretará severos prejuízos sociais e econômicos à sociedade brasileira.
Trabalhamos em um Colégio com uma história de defesa dos valores humanistas e cristãos, de justiça e solidariedade, desde a sua fundação, e com orgulho de ser um espaço de liberdade de expressão, pluralidade de ideias e convivência democrática. Defendemos a longa tradição de inserção comunitária voltada aos mais pobres e com ela nos identificamos. Temos um compromisso com a Educação, com nossos alunos e com a sociedade. Entendemos, por isso, fazer parte do nosso ofício contribuir para a formação de cidadãos responsáveis pela comunidade a que pertencem. Segundo Padre Charbonneau, pilar das diretrizes educacionais do Colégio, cada membro da comunidade “deve assumi-la, promovê-la, e defendê-la, responsabilizando-se, na medida do possível, pelo bem de todos, isto é, pondo-se a serviço da sociedade toda a que pertence e subordinando o seu bem particular ao bem comum”. Por assumirmos essas premissas como verdadeiras, compreendemos que é nosso dever nos manifestarmos contra o processo de precarização do trabalho e de retirada de direitos duramente conquistados pela sociedade.
Entendemos que as relações de trabalho, construídas historicamente, podem servir a interesses diversos e que sua construção é sempre campo de disputas políticas essenciais para o avanço da democracia em um Estado de direito, em que a lei pode ser recurso de consenso. Henri Dominique Lacordaire, um dos precursores do catolicismo moderno, dizia: “Entre os fortes e fracos, entre ricos e pobres, entre senhor e servo é a liberdade que oprime e a lei que liberta”. No atual contexto, de relação entre desiguais, a flexibilização das leis trabalhistas — divulgada pelo Governo como modernização, que prevê, entre outros aspectos, a livre negociação entre lados desiguais, sem amparos legais que garantam direitos realmente voltados a proteger os trabalhadores — necessariamente acentuará os privilégios e benefícios de um grupo à custa da parte mais vulnerável da população.
Frente a isso, é importante esclarecer que, como educadores, assumimos papel de responsabilidade social para além de nossos interesses pessoais e corporativos. Ainda que tenhamos condições econômicas melhores do que grande parte dos trabalhadores, como educadores, nosso interesse pessoal está sempre vinculado a interesses de ordem coletiva e, portanto, não podemos fechar os olhos diante do que consideramos injustiça social.
As razões para nos opormos às reformas são de diversas ordens (econômica, social, política, humanitária e educacional) e consideram os divergentes diagnósticos e análises dos efeitos que elas trarão. Não estamos sozinhos, grupos e entidades reconhecidos em nosso país também se manifestaram contrariamente a essas medidas. Em nota conjunta, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Confecon (Conselho Federal de Economia) posicionaram-se, também, contra a Reforma da Previdência:
"A PEC 287 vai na direção oposta à necessária retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, na medida em que agrava a desigualdade social e provoca forte impacto negativo nas economias dos milhares de pequenos municípios do Brasil."
Para nós, professoras e professores do Colégio Santa Cruz, as medidas propostas nos âmbitos do trabalho e da seguridade social irão acentuar sistemas já excludentes. Somente um projeto que torne a previdência social e a legislação trabalhista mais inclusivas e justas, que abrace aqueles que hoje se encontram sem qualquer proteção do Estado, poderá contar com apoio de quem quer diminuir a desigualdade no país.
No que se refere especificamente à Educação, retrocessos que ampliem a vulnerabilidade social e econômica no Brasil e que agravem o quadro de precarização do trabalho são danosos para o espaço escolar. As reformas defendidas pelo Governo, quando clamam à terceirização irrestrita e vislumbram a retirada de direitos sociais, avançam nesse sentido e comprometem tanto a necessária estabilidade do vínculo entre professores, funcionários e comunidade discente, quanto a imprescindível garantia de um limite digno e humano para o nosso exercício junto a crianças, jovens e adultos, no âmbito da Educação que defendemos. Não há escola democrática e inclusiva que prescinda desse vínculo e dessa garantia.
Nós, professoras e professores do Colégio Santa Cruz, acreditamos na formação de cidadãos que se engajem no desenvolvimento mais justo e igualitário da sociedade e não abrimos mão desse princípio que norteia nossa escola, uma organização filantrópica, que tem, acima de todos os outros, um compromisso inegociável com todos os cidadãos. Por conta disso, decidimos por expressiva maioria em assembleia, com a presença de cerca de 70% dos docentes de todos os períodos e segmentos de ensino, amparados na Lei e no espírito democrático, paralisar as atividades docentes no dia 28 de abril de 2017 e resolvemos nos unir ao amplo e cada vez mais expressivo movimento nacional de professores e demais categorias de trabalhadores.

São Paulo, 24 de abril de 2017.

Corpo docente do Colégio Santa Cruz



Aula 2 - Carta (DE UMA PARCELA) dos alunos e alunos do Colégio Santa Cruz

Em primeiro lugar, é necessário dizer que temos um profundo respeito pelo corpo docente do Colégio Santa Cruz, que realiza seu dever de nos educar de forma exemplar, e com o qual possuímos muitas ideias em comum. Reconhecemos também que foram esses professores que nos possibilitaram desenvolver as competências necessárias para entrar no debate político e sempre nos deram o espaço para exercermos nossos questionamentos. Apesar disso, seria impossível não nos posicionarmos frente ao que consideramos uma visão equivocada, com prováveis consequências catastróficas para o País como um todo.
Após ler a Carta Aberta escrita pelos professores referente à decisão de paralisação no dia 28 de abril de 2017, sentimos a necessidade de redigir essa resposta explicitando nossa posição. Reconhecemos o direito à greve e à livre manifestação de ideias e entendemos que a Carta justifica a ação dos professores, porém acreditamos que o posicionamento contra a Reforma da Previdência seja profundamente equivocado. Além disso, a Carta passa ao largo das questões centrais envolvidas, apelando para noções generalistas de “justiça social”. Pauta-se em um maniqueísmo exacerbado e parte, desde a 1ª linha, do pressuposto de que as reformas propostas pelo Governo Federal são ruins para o país e, especialmente, para os mais pobres. Essa forma de pensar apenas simplifica e empobrece o debate.
Com o objetivo de justificar a decisão dos professores, a argumentação esconde-se atrás de uma suposta “proteção de direitos”, defende a manutenção do status quo e falha em criticar aspectos objetivos da proposta de reforma. Acontece que um direito ser garantido por lei não garante o orçamento necessário para cumpri-lo. Sendo assim, a Carta defende que se mantenha o rombo crescente da Previdência. Esse rombo foi, segundo dados do próprio Governo Federal, de cerca de 300 bilhões de reais ano passado (5% do PIB), e tende a crescer conforme a população envelhece. Isso impede tanto a estabilidade fiscal como maiores investimentos em outros setores. Em um país que, falando de Previdência, estão postas duas opções: a Reforma proposta pelo Governo ou o sistema atual, defender a segunda opção é usar o discurso da defesa de direitos para, na realidade, defender privilégios. Dentre estes privilégios, há por exemplo o fato de funcionários públicos se aposentarem fora do RGPS (recebendo o equivalente a seus salários anteriores, ignorando o teto de 5.300 reais que vale para todos os outros trabalhadores). Ademais, o modelo atual permite que os mais ricos se aposentem mais cedo, já que têm muito mais facilidade para contribuir para a Previdência, criando casos absurdos e indefensáveis, como o fato de o presidente Michel Temer ter se aposentado como promotor público aos 55 anos de idade.
Não nos enganemos; ir contra a reforma da Previdência é também defender que um funcionário público continue recebendo em média três vezes mais do que um trabalhador regular (Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados), e que a média de aposentadoria no Judiciário, de 25.700 reais, não seja alterada. Dinheiro esse que poderia ser revertido para outras áreas fundamentais, nas quais o investimento governamental é raquítico, como por exemplo saneamento básico, saúde e educação.
Além disso, o Brasil já gasta uma porcentagem maior do PIB em Previdência do que a média da OCDE, mesmo sendo um país relativamente jovem. Com o envelhecimento do país, que ocorre a passos largos, segundo o IBGE, os improcedentes 13% do PIB gastos pelo Brasil só tendem a aumentar. Não obstante, o número proporcional de pessoas economicamente ativas tende a diminuir. Ou seja, enquanto a expectativa de vida só aumenta e a população em geral só envelhece, parece razoável aos professores que as regras se mantenham as mesmas.
Ao dificultar a aposentadoria por tempo de contribuição, a Reforma Previdenciária contribui para a diminuição da desigualdade no Brasil, visto que, no geral, quem se aposenta antes dos 65 anos são os mais ricos, em decorrência da dificuldade dos mais pobres de serem empregados com carteira assinada de maneira regular. Segundo o DataPrev, o valor médio concedido por tempo de contribuição é de mais de 2 salários mínimos, enquanto o concedido por idade supera por pouco a faixa de 1 salário mínimo.
A posição defendida pelos professores falha em apresentar embasamento técnico e econômico. Defender políticas públicas pautadas em ideais de “justiça” e “defesa dos mais pobres” é meio caminho andado para a irresponsabilidade fiscal. Essa irresponsabilidade fiscal, muito presente nos governos da ex-presidente Dilma, gera inflação, que pune majoritariamente os menos favorecidos.
Em conclusão, parece evidente que, apesar das mudanças propostas apresentarem vários defeitos de origem, forma e conteúdo, as reformas em curso conduzidas pelo atual governo estão em geral no caminho correto de um arcabouço regulatório e legal mais moderno que reduz burocracias, fomenta crescimento e principalmente elimina privilégios construídos ao longo de décadas e que são, além de injustos, completamente insustentáveis do ponto de vista das finanças públicas.



Aula 3 – Carta (DE OUTRA PARCELA) de alunas e alunos do Colégio Santa Cruz:
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Paulo Freire)
“Defenderei sua liberdade de ensinar, para manter minha liberdade de aprender” (Aluno do EM, em mensagem anônima)

Em sala de aula, sempre fomos incentivados a pensar, debater, encarar o mundo criticamente e nos posicionar com respeito frente às questões que nos são apresentadas, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar.
Nossas professoras e professores são, sem dúvida alguma, essenciais para a criação e manutenção do ambiente de aprendizado democrático e plural com que sempre pudemos contar para desenvolver nosso pensamento crítico. É notável, em sala de aula, o esforço pelo respeito às diversas opiniões, manifestadas pelos diversos alunos e professores.
Infelizmente, em um momento de profundo acirramento político como o que vivemos hoje, expressar opiniões tem se tornado algo cada vez mais difícil. A intensa polarização enfrentada pela sociedade empobrece o debate e dificulta a livre manifestação de opiniões, promovendo um ambiente no qual impera o desrespeito e a intolerância, deixando o debate de ideias em segundo plano.
Queremos lutar para que isso não ocorra dentro de nossa escola, de forma a zelar pelo ambiente democrático construído por nós e pelos professores, no dia-a-dia da sala de aula.
Acreditamos, portanto, que não devemos isentar-nos da discussão acerca da paralisação dos professores, pois desejamos, acima de qualquer outra coisa, manter possível o debate e a respeitosa manifestação ideológica no Colégio, a fim de evitar que temas caros a nós tornem-se tabus ou mesmo raízes de conflitos de ordem pessoal.
Assim, frente aos acontecimentos recentes, nós, parte do grupo de alunos do Colégio Santa Cruz, gostaríamos de expressar, por meio desta, nosso total apoio à paralisação dos professores na greve geral do dia 28/4.
Não apenas pois reconhecemos e defendemos o constitucional direito à greve, mas também por reconhecermos que as reformas na previdência e trabalhista representam um ataque a parcelas vulneráveis da população, ao pautarem-se na retirada e redução de direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo de anos de intensa e admirável luta política.
Defendemos que nossas professoras e professores possam se manifestar e exercer livremente a docência, sem que se crie um clima de tensão e, como consequência, se prejudique nosso aprendizado.
É motivo de muito orgulho para nós observar o engajamento de nossos professores em uma luta que diz respeito não somente a eles, mas a todos os trabalhadores e trabalhadoras que serão amplamente prejudicados com as reformas da previdência e trabalhista.
Gostaríamos de acrescentar que essa carta não reflete o posicionamento de todos os alunos e alunas da escola, mas de um grupo que decidiu se mobilizar para expressar seu apoio aos professores do Colégio Santa Cruz, que democraticamente decidiram aderir à paralisação por motivos já esclarecidos pelos mesmos na “CARTA ABERTA DAS PROFESSORA E DOS PROFESSORES DO COLÉGIO SANTA CRUZ”, publicada no dia 25/04/2017.

Julia Mesquita, André Nunes, Sofia Kassab, Tomás Marcondes, Ana Laura Appy, Rafael Semer, Zoé Reis, Lilla Lescher, Luiz Nigro, Luiza Chucre, Carolina Friedheim, Isabella Cornacchioni, Emília Galvão, Babette Fernandes, Juliana Cornacchioni, Iara Veiga, Raquel Guimarães, Júlia Leite, Gabriela Motidome, Antonio Ikeda, Lis Loureiro, Mariah Salles, Alice Rosenthal, Luísa Takeuchi, Clara Angeletti, Yuri Liegel, Flora Santos, Miguel Worcman, Luiza Freire, Raquel Guimarães, Andre Silvestri, Érico Dias, Isabella Fraia, Teresa Magalhães, Ricardo Daher, Rafael Neves , Maria Rezende, Beatriz Maradei, Beatriz Sales Oliveira, Emanuela Gebara, Antônio Fonseca, Letícia Fagundes, Maria Vitória, Júlia Leite, Julia Podkolinski, Maria Kinker, Mariana Diel, Gabriela Monteiro, Tomer Raca Silberberg


(Vale notar que não pretendemos, aqui, discutir nas minúcias o porquê de sermos contrários à reforma da previdência: queremos, mais especificamente, demonstrar apoio à decisão tomada por nossas professoras e professores.)

2 comentários:

José Rodrigues Neto disse...

A pós-verdade macula dos defensores que, ao antecipar um achismo, buscam, celeremente, uns minutinhos de um cara que sabe das ´´coisa´´ mais rápido ou, se preferir, quer ser o foda que deu a notícia antes.
Reforma é formar novamente e deformar é modificar de forma grotesca. Fico com a reforma.
Tirei um dia pra ler o que está sendo debatido e digo: que bagunça do caralho !
Se falo que sou a favor, viro ortodoxo. Se falo que sou contra, me mandam para de queimar pneu.
Sabe quando você chuta a bola, vê que ela vai dar aquela pancada no portão do vizinho chato e grita qualquer coisa, loucamente, para que o som do portão ´´bordoado´´ seja inaudível? Eis as reformas.
Elas são necessárias, mas é um remédio amargo demais.
A imprensa tem prensado as informações e só escoa aquilo que alimentará o apoio incondicional ou a cólera efusiva.
Como já dito, li o 1º texto e findei com as incontáveis alterações e não vejo nada além do que já é feito. Os sindicatos estão putos porque perderam a ´´boquinha´´, mas não é só isso: perderão autonomias café-com-leite.
Saindo de sindicatos e entrando nas informalidades, a trabalhista vem para colocar ordem.
A da previdência é o alho que os vampiros de Brasília temem (me segurei para não fazer um trocadalho com Temer!).
A máquina pública jorra óleo que é feito com o nosso suor, mas não mistura na água em que bebemos.
Vamos pra arena como Ben-hur, mas temos medo da altura como Scott (´´Um corpo que cai´´, de Hitchcock).
É muita beleza nas palavras e pouca atitude nas ações.
Findando, o mal do nosso mundo é a intolerância e busca pela harmonia,desde que seja igual a minha.
É muito delicado falar de algo com propriedade, já que a sua opinião é privada, mas o conviver é público.
É pueril achar que o mundo terá paz amanhã, mas precisamos pensar em algo hoje.
Podemos escolher entre fazer a hora de Vandré ou ficar na mesmice das manhãs de setembro de Vanusa.
Qual trilha queremos pro nosso trilho?

José Rodrigues Neto disse...

Artistas como o Belchior são iguais aquelas árvores da rua de casa, sabe?
Ela sempre esteve lá, mas só notamos a falta que ela nos faz quando é podada.
Homenagens póstumas são terríveis, já que marejam nossos olhos e nos afogam em remorsos.
É pesaroso ver que a cultura escoa em cada morte e deletério ver que o nosso futuro não contará mais com o nosso passado.
Como dito na música/crônica ´´Alucinação´´, morreu quem não estava mais interessado em efemeridades, e sim em amar e mudar as coisas.