Podcast: O Direito de Nascer e A Vida Invisível
O cartaz do filme tem similaridade com a linguagem das imagens que eram reproduzidas nas bancas de jornal com o roteiro das radionovelas, como nota-se na imagem extraída do periódico Rádio-Teatro, que traz o texto de "O Direito de Nascer"
Está
em cartaz nos cinemas o concorrente brasileiro a uma vaga na categoria de
Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2020: A Vida Invisível.
Na
minha humilde opinião é uma das mais belas películas que já assisti nas
telonas. Considerado pelo diretor Karim Aïnouz um melodrama tropical, a
narrativa se passa nos anos 1950, quando as irmãs Guida e Euridice vivem a
adolescência e, por viverem em uma sociedade paternalista e conservadora, são
separadas pelo pai e se tornam invisíveis. Ou melhor, seus sonhos e desejos é
que parecem desaparecer.
Ouça aqui ou no player abaixo uma reconstituição da novela "O Direito de Nascer", que era o maior sucesso da Rádio Nacional no início dos anos 1950.
O
rádio é presente em todas as cenas em que familiares aparecem reunidos. Logo,
lembrei-me de haver similaridades entre a trama de A Vida Invisível e de uma
radionovela que foi a de maior sucesso de todos os tempos: O Direito de Nascer,
que, inclusive, é mencionada no filme (como som de fundo em uma das conversas
que acontece na sala de estar).
Para
você entender o que há em comum entre as duas narrativas em termos de linguagem
e tirar as próprias conclusões se o filme pode ter alguma inspiração na antiga
novela (que nos anos 1960 ganhou versão televisiva), aqui compartilho uma
reconstituição de O Direito de Nascer que foi feita na Rádio Bandeirantes, no
quadro Interferência.
Destaco
a participação de Salomão Ésper no áudio que, assim como Fernanda Montenegro,
que fecha lindamente o filme, está com 90 anos e extremamente lúcido e
participativo.
Sobre O Direito de Nascer:
A trama ia ao ar às segundas, quartas e sextas, às 8 da noite, pela
emissora que era uma das mais ouvidas do mundo naquela época: a Nacional do Rio
de Janeiro.
Durante cerca de dois anos, as famílias de todo o Brasil se reúnem em
torno do rádio para acompanhar o drama vivido pela jovem Maria Helena.
Paulo Gracindo, que interpretou Albertinho Limonta na radionovela, costumava
dizer que, em muitas cidades do interior, as sessões de cinema eram
transferidas para as 9 da noite, porque ninguém saia de casa entre 8 e oito e
meia.
Uma década depois, o sucesso se repetiria na versão televisiva da novela,
exibida pela Tupi.
Elenco
do radioteatro: Salomão Ésper (narrador), Marcelo Duarte (Dr. Alberto Limonta),
Silvania Alves (Maria Teresa), Antonio Mier (Dr. Pezzi), Marcelo Abud (D.
Rafael), Fernanda Albino (Dª. Conceição), Débora Raposo Parron(Maria Helena),
Laura Dal Rovere (Maria Dolores) e Chico Prado (Alfredo Martins).
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