sábado, setembro 26, 2009

Há 15 anos o rádio perdeu um show de profissional: Estevam Sangirardi

Em um domingo de clássico entre São Paulo e Corinthians é impossível aos que têm mais de 30 anos - como eu - não lembrar do sofisticado estilo de Lord Didu Morumbi e do fanático sofredor corintiano Joca.

Personagens como esses tornavam os dias de jornadas esportivas um verdadeiro Show de Rádio.

A origem deles, assim como as do palmeirense Comendador Fumagalli e do santista Lança Chamas, foi a mesma: a mente criativa de Estevam Sangirardi, o saudoso Sanja.

Há exatos 15 anos, em 27 de setembro de 1994, o juiz divino trilou o apito final para Sangirardi. O rádio perdera muito de sua alegria.


Ouça a última entrevista de Sangirardi, que foi concedida ao programa Rádio Matraca da Gazeta FM, em 1992.
(se o player não estiver visível, clique aqui)

Em destaque, capa do boletim da Rádio Gazeta comunicando a reestreia do programa em 1991. À época, tive o privilégio de conversar com Sanja para produzir o texto desse boletim, já que ocupava a grata missão de divulgar a emissora.

O show de rádio e de criatividade começou com a estreia de Sangirardi na Rádio Record em agosto de 1945. Pouco tempo depois, em 1º de novembro, aos 22 anos de idade, a convite do amigo Paulo Machado de Carvalho Filho, migrou para a Pan-americana, então co-irmã no grupo emissoras Unidas (a outra rádio pertencente ao grupo da família Machado de Carvalho era a São Paulo).

Naqueles tempos em que o rádio exigia versatilidade, Sanja fez de tudo: sonoplastia, locução esportiva e jornalística, radionovelas, comerciais, jingles e tudo o que lhe era solicitado.

No final de 1960, o eclético radialista vai para a Bandeirantes. Foi lá que nasceu o Riso Futebol Clube. Considerado embirão da mais famosa empreitada de Sanja, Riso durava quinze minutos e era gravado aos sábados para ir ao ar aos domingos.

Em 1967, na agora Jovem Pan, retorna com ambições ainda maiores. 1968, para muitos, foi considerado “o ano que não terminou” em função do recrudescimento do período militar. Para Sanja, que usava o futebol e o bom humor para fazer tabelinha com a crítica social, o ano começara com alguns gols de placa.

Aos 45 anos de idade, é registrado como redator e rádio-repórter e ganha cartão verde para colocar em campo o Show do Intervalo, que logo evolui para o autêntico Show de Rádio e passa a ser transmitido logo após o término do jogo.

O programa teve passagens também pela Bandeirantes e ainda pela Gazeta, no início da década de 1990, mas a fase de ouro foi mesmo na Pan. Era comum os torcedores das equipes rivais deixarem o estádio a pé ou nos carros ecoando o som da transmissão dos hilários diálogos entre os personagens daquele show.

Ao vivo e levado ao ar pouco tempo após o fim do jogo, o povo gargalhava com as imitações, paródias e brincadeiras de Sanja e equipe.

Por falar em equipe, esta sempre foi show também. Pelo time campeão comandado por Sanja passaram alguns dos mais importantes humoristas deste país. Muitos ainda em atividade. Não me arriscarei a citar nomes, pois cometeria certamente injustição com os que não lembrasse.

Em meados de 1992, após cerca de um ano no ar pela Gazeta AM, emissora que viu o seu projeto de ser transformada na nova voz do esporte abortado após ser arrendada por uma igreja, Sanja teve seus estados de saúde e emocional abalados com a saída do programa do ar. Começara uma luta contra dores agudas, para as quais perderia o jogo em 27 de setembro de 1994, aos 71 anos de idade. Os adversários contra os quais teve de lutar foram: insuficiência respiratória, câncer de próstata e doença pulmonar construtiva crônica.

Mas o show não terminou. Ainda em tempos recentes, Serginho Leite e uma nova equipe fizeram algumas tentativas de voltar com o programa. A mais recente foi na Capital AM. Torcemos para que esta volta, até como forma de homenagem ao mestre, aconteça a qualquer momento.


As informações contidas neste texto foram extraídas do livro Um Show de Rádio – a vida de Estevam Sangirardi, escrito por Carlos Coraúcci e publicado pela editora A Girafa.



Ouça mais:
Show de Sangirardi

Radiografia: Olga Sangirardi (produtora do programa)

2 comentários:

Anônimo disse...

Me lembro bem apesar de menino e são paulino, logo após os jogos década de 80 as hilariantes conversas entre Lord didu e seu mordomo pedindo seu champanhe demais!

Anônimo disse...

Adorei encontrar alguns arquivos a respeito de Lord didu gostaria de ouvir mais episódios pois marcaram minha infância ouvia junto de meu pai ambos olhando para o rádio domingo a tarde pós jogos.